Somos medo e amor

São muitos anos de estudo para fazer o que eu faço, já são 24 anos de trabalho, e quanto mais estudo, mais vejo que é simples, vejo que somos apenas medo e amor e mais nada. Todo o resto é alegoria, educação e linguagem, um jeito de tentar explicar, mas somos apenas medo e amor.

E assim, permito sublinhar um jeito diferente de ver a vida. Eu ajudo muitas pessoas, todos os dias e vejo que, quem consegue fazer essa jornada, a jornada do “viver de verdade”, utilizando minhas instruções, guiadas por mim, fazem a jornada mais longa, mais dura e mais exigente, mas também, a mais próspera, mais profícua e a mais consistente.

E qual é esta jornada?

Eu ajudo as pessoas a compreenderem que nós, seres humanos, somos seres duais. Ajudo pôr luz na vida das pessoas. E isso significa iluminar a dor, o medo, a raiva e a tristeza que já está em nós.

A maior parte das pessoas, por desconhecer que somos seres duais, desejam pular o caminho do medo e acessar o caminho do amor. Porém, sinto dizer, que em meus quase trinta anos de estudos, com os melhores professores, verifiquei que não tem como. Então, se deseja o amor, antes um pouquinho de dor, se deseja alegria, antes um pouquinho de tristeza, deseja coragem, antes um pouquinho de medo. Todas são variantes de medo e amor, pois é só o que existe.

Mas Marcel, então você está querendo dizer que não tem como sentir amor sem sentir medo? A resposta é sim.

Podemos observar isso agora na pandemia.  O maior mal desse momento da pandemia é que ela despertou, no início, um medo gigante em nós e a extrema maioria das pessoas resolveu, com isso, comprar mais, tanto que muitas empresas venderam mais, os supermercados por exemplo, já outras pessoas começaram a comer mais, outras a beber mais.

Usando uma linguagem bem simples, muitas pessoas, com medo da pandemia, buscaram se anestesiar. E como resultado, nesse último rebote da pandemia tem pessoas enlouquecendo, pois foram anos fugindo do caminho do medo, o qual não é um mau caminho, mas é apenas um caminho que nos leva para o caminho do amor.

Portanto, quando a pandemia começou, o medo que surgiu se uniu a todos os medos que estavam guardados em nós ao longo dos anos e somado a isso o medo guardado durante um ano de pandemia, foi para algumas pessoas a gota d’água do medo. E fez transbordar uma avalanche de medo. Pude observar isso em clientes nossos, que não se cuidaram como deviam nesse período e vieram nos pedir ajuda, estavam reclusos sem se cuidar de tão desesperados.

Logo, não sou eu, Marcel, que acho que temos que sentir o medo primeiro. Todos os dias a vida nos mostra isso, simplesmente é como é. Não inventei isso, apenas entendi e tenho tentado simplificar e passar adiante. Temos em nós um órgão de sentir, um órgão só, não temos 17 órgãos do sentir, é a nossa alma, o nosso núcleo emocional, encarregado de sentir tudo.

Na cultura contemporânea em que vivemos, por conta de tudo o que aconteceu com a evolução humana no planeta Terra, por adquirimos domínio sobre o fogo, começarmos a comer carne animal e isso fez o nosso cérebro crescer, adquirimos a linguagem e assim podemos passar conhecimentos, depois a escrita, a imprensa, revolução industrial, iluminismo, informática, internet, meios de comunicação, etc. Tudo isso fez a nossa mente ficar gigante e nós seres humanos somos em essência uma alma, mas estamos ocupando um corpo e isso nos faz humanos pois, do contrário, seríamos anjos.

Thinking about...

E assim, nesta condição humana, a mente crescendo dessa maneira, nos tornamos seres egóicos e o núcleo da mente é medo. Assim, quem está dominado pela mente ou está tomado de medo ou está negando o medo. Os tomados de medo paralisam, os que negam o medo se anestesiam e quanto mais se anestesiam mais medo tem.  As anestesias, para cada um é de um jeito e são anestesias lícitas. Um ser egóico é aquele que está vivendo só o seu ego ou muito predominantemente seu ego, enquanto poderia viver o seu corpo, sentir o corpo, a alma, as emoções e, portanto, o coração, o amor, o espírito, o eu superior.

 Se somos um ser egóico e a função da mente é eliminar a dor, pois a mente tem medo da dor e busca eliminá-la, acabamos por anestesiar o nosso órgão de sentir.  Fazemos isso trabalhando muito, bebendo muito, dormindo muito, tomando muitos remédios, se distraindo com Netflix, com videogame, com televisão e fazemos isso, até mesmo, fazendo fofoca. E o que ninguém nos ensinou é que quando anestesiamos nosso órgão de sentir, nós não sentimos dor e medo, mas é o órgão do sentir que sente tudo, logo, não sentiremos o amor profundo, a coragem profunda, o encantamento profundo e a realização profunda.

Outro jeito de anestesiar o órgão de sentir é não parar. Quer ver as pessoas nervosas é pedir para sentar sem televisão e celular. As pessoas não conseguem parar de fazer nada, pois quando para, começa a sentir. E além de tudo isso, do como funcionamos, surge a pandemia, a qual está querendo quebrar o nosso ego. Contudo, a verdade é que não é a pandemia que está atuando, é a vida, são as leis da vida atuando e nos mandando a seguinte mensagem: “Não é do jeito que você quer que seja, a vida é como ela é”.

Dou o meu exemplo, eu queria fazer apenas treinamentos presenciais, pelo resto da minha vida, odiava treinamentos online, porém, devido á pandemia, o meu negócio está fechado há 1 ano. O pessoal do comércio reclama, com razão, mas eles puderam abrir e fechar suas lojas, diferente da minha empresa, que para sobreviver, tive que fundar um novo negócio, todo online, que eu odiava, mas a vida me ensinou e me rendi às forças da vida e assim, eu fiz treinamentos online com duas coisas, medo e dor. A dor de fazer o que eu odiava e o medo de decepcionar, de não ser tão bom, de não agradar. E é muito difícil, falar para uma câmera e não poder abraçar os meus clientes, pular, vibrar junto, porque eu sou um maluco no palco, não poder ver a reação das pessoas, ainda mais eu, formado nas dinâmicas de grupo, pois se o grupo quer ir devagar eu vou devagar com o jogo, se o grupo quer mais ou menos, eu vou mais ou menos e se o grupo é pirado, eu piro. Tive que bloquear isso e como não estou vendo o grupo, não tenho feedback, não tenho retorno, mudou muito.

Afro American young woman in cafe holding phone with laptop shopping online.

 Mas com este semear, depois de um longo período a empresa de forma emocionante, de sentar e chorar, voltou a faturar mais do que antes da pandemia, mas foi morrendo de medo, foi doendo muito, foi com muito estresse e com muito sofrimento que tudo aconteceu. Junto a isso, a decisão de não ficar lutando contra a pandemia, nem pedindo que autorizassem os negócios presenciais, pois enfim, acredito que é isso. O segredo está em nós, basta concordar e fazer o que é necessário.

 A minha grande mensagem é que sim, estamos morrendo de medo, mas não podemos ficar no caminho do medo, podemos passar pelo caminho do medo, ou melhor, podemos passar por um túnel de medo e assim, após passar por ele, vamos então, malear a nossa alma. Medo sentido vira coragem. E sentindo a dor do medo, a angústia do medo e o sofrimento do medo, que pode ser comparado a mesma dor do músculo ao fazer exercícios que dói muito, mas como resultado, ao subirmos uma escada ficará leve e gostoso. Mas agora, por outro lado quem não se exercita, quando for subir uma escada será sofrido e muitas vezes poderá ter que parar em cada lance de escada para recuperar o fôlego. E repito, pois aprendi com um de meus mestres, Tony Robbins, que “a repetição é a mãe da aprendizagem”, nós estamos morrendo de medo.

O primeiro passo para conseguirmos passar por este momento de nossas vidas é sentir o medo, expressá-lo, é chorar esse medo, pois é impossível não ter medo. A pandemia está aí, dados de alguns dias atrás mostram mais de 3000 mortos em dois dias, grandes e importantes empresas fechando, a busca e espera pela vacina, claro que estamos com medo e não tem problema algum sentir medo, em expressar o medo e assim usá-lo a nosso favor.

Portanto, se estou com medo do que possa acontecer, devo sentir tudo, todo medo e após me perguntar, algo libertador: Sim, estou morrendo de medo. O que eu posso fazer agora? Isso é de outro mundo, pois é o que eu, não o que o Bolsonaro, ou o que o Marcel, ou o que o meu pai, ou o que o governador, ou o que o médico vai fazer. É o que eu posso fazer. Eu posso, mesmo que muitos queiram dar desculpas dizendo: “Não tem o que fazer!”, sempre tem. É fazer o que dá. Alguma coisa sempre podemos fazer, nem que seja sentar e chorar. E tem que ser agora, não é ontem, não é amanhã, é o que eu posso fazer agora, neste instante, diante de todo esse medo.

Free and wild.

Exemplifico com uma vivência minha. Tenho acordado 4 horas da manhã, cuido da minha saúde com rotinas matinais e começo a trabalhar às 5 horas. Trabalho intensamente, com toda dedicação até, normalmente, as 22 horas. E convido vocês a refletirem: Será que enquanto estava fazendo isso eu estava com medo? Não, mas com certeza toda essa rotina tem sido realizada pois estou com medo. Então, enquanto trabalhei das 5 às 22:00, eu estava presente, estava me ocupando da minha vida. Do contrário, se não sentimos o medo, não expressamos o medo e não fazemos alguma coisa, nossa mente, morrendo de medo, vai para o futuro.

Então, se não sentimos o medo, não expressamos o medo no corpo e o medo da pandemia e junto a isso não nos fazemos a pergunta: O que eu faço agora? Surge o medo, que entra em looping e fica o medo do medo sob o medo que é a mesma coisa que a chamada síndrome de ansiedade ou do pânico, apenas nomes para um monte de medo empilhado um em cima do outro. Como resultado vai para o futuro, onde somos pródigos em fantasiar e na fantasia viramos anões e permanecemos no caminho do medo, que é mega, ultra, super diferente do que passar pelo caminho do medo.

 Saiba que o caminho do medo é o único caminho para encontrar a coragem. A palavra coragem significa, cor(coração) agem (força), força que vem do coração. A coragem não é uma força mental, coragem é uma força emocional, visceral, da alma. Portanto, só sinto coragem se sinto o medo e quem se diz corajoso, porque não sente medo, tem o maior de todos os medos que é o medo de sentir medo, e assim sua mente, mente que não tem medo.

Resumidamente, em 3 etapas, as ações que nos ajudam a passar por isso. Devemos observar as leis da vida, em especial a segunda LV 2, vida é presença, tenho que estar no presente e assim sentir o que vier, observar o que estamos sentindo agora, ou seja, olhar para LV 5, vida é dor e assim, sinto a dor, expresso a dor e tomo a dor como aliada, como mensageira, porque as dores são mensageiras, as crises são mensageiras e as doenças são mensageiras. Adoro uma frase do Tony que diz, “A vida não está contra ti”, a pandemia não está contra nós ela está ao nosso favor. A vida não atua para te dar prazer, a vida atua para extrair o teu máximo poder, quem busca o prazer é a mente. Logo, se tivéssemos nascido em casa, não tínhamos evoluído, mas nascemos em cavernas e as cavernas eram a vida atuando para extrair de nós o nosso máximo poder, e assim fizemos, nós acessamos o nosso máximo poder e construímos casas extraordinárias, colchões maravilhosos, lençóis de 177 fios egípcios e tudo isso foi a mente humana que fez.

 Quando fico na dor é a vida está extraindo o meu máximo poder e diante da dor não tem alternativa, LV 6, vida é concordância. Lembremo-nos que a vida é uma inteligência superior, é um universo e que nós somos um grão de areia no universo. Tudo o que está acontecendo, só está acontecendo. Quem acha que é bom ou ruim é a nossa mente egóica, bem como, também é ela que acha que é bonito ou feio. Cabe a nós concordar.

Para de reclamar do lockdown, claro que não é proibido ter opinião e manifestar a sua opinião, mas o que não dá é viver de emitir opinião e não fazer o que precisa ser feito. Então, emite tua opinião e vem cuidar da tua vida. Concluindo, depois que você vier para o presente e concordar que a vida é isso, deve acontecer a LV 1, o movimento, pois em movimento não sei se vai dar certo, mas sem movimento tenho certeza que nada vai acontecer. Assim, o que nos resta fazer é expressar nossa opinião, seja na internet em um post reclamando, para aqueles que reclamam, é está tudo bem, mas sem deixar de pensar no que irá fazer para viabilizar a tua saúde bio, psico, espiritual e emocional e o teu negócio.

Uma recomendação importante é que nós já estamos tomados de medo, porém, muitas vezes negamos e mentimos que não temos medo. Chamamos medo de receio, de ansiedade, de angústia pois na verdade, fazemos de tudo para não dizer que estamos com medo, sendo que, estamos em uma areia movediça de medo e 99% das pessoas não tem recurso para sair dela sozinhos, só com ajuda, como terapias, coaching, mentoria, imersões, meditação, nutrição, pilates, musculação, duas ou três destas opções no mínimo, pois somos um sistema bio, psico, emocional e espiritual e temos que olhar o todo.

 Reforço, pois não podemos esquecer, que o autoconhecimento é a verdadeira fortuna. Pense, observe e reflita, durante toda sua vida, somando tudo que ganhou e não é pouco, quantos reais você investiu em você!? Uma pessoa que trabalha por 20 anos, por exemplo, e que receba R$1.000,00 por mês, teve contato com no mínimo R$240.000,00. E olhando para o todo, quanto usou para cuidar de si? Em minhas imersões quando faço essa observação, vejo que, 90% das pessoas investiu zero em si e que uns 9%, investiu 1%. Isso me lembra uma cidade perto de São Borja, onde moro, aqui no Rio Grande do Sul, chamada Alegrete, um lugar que tem muitos campos, alguns dos campos mais férteis do mundo, onde nasce a melhor grama naturalmente, ótimo para o gado. E neste lugar começaram também os plantios, as lavouras agrícolas e assim, começaram então a colher e plantar, colher e plantar, sem descanso e tão pouco recompunham os nutrientes. O resultado disso, foi que nesta região surgiu um deserto. Os melhores campos do mundo em determinada área viraram desertos.

Existem pessoas que há 20 ou 30 anos no mercado de trabalho extraíram de si seu máximo potencial, extraíram e trabalharam e utilizaram todos os recursos que obtiveram investindo em uma casa, em um carro, roupas e em muitas outras coisas e não investiram R$1,00 em si mesmo. E com essa realidade muitos não entendem porque estão desmotivados, chateados e descrentes da vida. É simples, estes são os semeadores de deserto, pessoas produtivas, inteligentes, capazes, mas que extraíram tanto de si e não reinvestiram, não se auto adubaram, não se irrigaram e agora estão produzindo o básico, apenas sobrevivendo, tirando só para comer, esperando se aposentar, pois se colocaram em último lugar.

 Concluo, lembrando que a pandemia um dia vai cessar, lentamente, mas vai e no final existirão apenas dois tipos de pessoas, aquelas que amadureceram muito durante toda essa experiência pois sentiram suas emoções, seus medos e angústias, além de reciclá-los e transformá-los em coragem. E terá aqueles que diante de tanto medo colocaram camadas ainda mais espessas de “piche” no seu órgão de sentir, portanto vão estar sentindo menos coragem ainda.

No entanto, os sentimentos querem ser sentidos e farão de tudo para que isso aconteça, e assim, muitas vezes, surgem os fracassos, dissolução de casamentos e doenças. Simplificando, ou você pede ajuda e sai melhor no final da pandemia, ou sai pior do que entrou, não tem escapatória, não vai sair igual, não tem como sair neutro. Então, fica o meu convite para as pessoas, através de um questionamento: Como você escolhe sair da pandemia? Mais maduro ou ainda mais dodói na alma e fingindo que passou a pandemia e está tudo bem.

 As pessoas tem a falsa sensação que antes da pandemia estava tudo bem, não existiam problemas como se as pessoas estivessem acordando cedo, motivadas, sem ter nada, estavam todos magrinhos e todos sem procrastinar. Enquanto que na verdade, estavam todos na mesma problemática, claro que o meio externo estava melhor, mas internamente, no indivíduo, existiam os mesmos sintomas. Logo, quando cessa o estímulo externo você terá que se encontrar consigo mesmo. Chega a hora em que temos que decidir a dor que queremos sentir, sugiro que seja aquela que te leva para o mais, para a verdade, ao encontro do seu verdadeiro EU e assim para uma vida mais leve e realizadora.

Forte e carinhoso abraço!

Leia também: UM VIDA MAIS LEVE É POSSÍVEL

Sobre o autor:

Marcel Scalcko ajuda as pessoas a viverem mais leve e realizar muito. É mentor há 24 anos. Já treinou mais de 110.000 pessoas. Descreveu as 9 Leis da Vida. Há mais de 30 anos estuda com os melhores mentores e treinadores do Brasil, Alemanha e Estados Unidos.

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