Seus pais não precisam de você!

“Os pais não precisam dos filhos”. Com base nessa ideia trazida pelo grande Bert Hellinger, aqui você receberá uma reflexão linda e profunda que mudará muito o seu modo de ver os seus pais, de ver a vida.

Na nossa vida existe uma hierarquia. Nessa hierarquia, nossos pais são grandes. Nós somos pequenos diante deles. Pois eles chegaram antes de nós. Quem chega antes, é maior. Quem chega depois, é menor.

O grande (nossos pais) chega primeiro e até o pequeno chegar (nós), o grande já construiu, deu conta de uma experiência de vida, passou por várias fontes de dor e malhou sua musculatura emocional para seguir.

Tudo que os pais precisavam construir, já está construído quando as suas crianças chegaram. 

Quando um filho chega, os pais já são o que são. Estão prontos para cuidarem dessa criança, sem precisar de nada em troca. Os grandes não precisam dos pequenos, os pais não precisam dos filhos. 

Os nossos pais não precisam de nós!

No entanto, por amor cego e por ter uma mente que idealiza e decide o que é o certo e o que é errado, que faz projetos do que seria o melhor para os nossos pais, nós saímos do nosso lugar de pequenos diante deles. 

Nós tivemos uma aluna que ficou grande diante da mãe e com isso passou a ter uma vida pesada demais, já que estava carregando uma carga que não era dela.

Ela necessitava compreender que a mãe não precisava dela, carecia respeitar a escolha, a dor, o destino, o modo com a mãe se cuidava e lidava com a própria vida.

Perguntamos-lhe que idade a mãe dela tinha quando nasceu. A resposta foi: 26 anos. Então abordamos sobre o fato da mãe ter vivido os 26 anos sem a presença e o cuidado dela. A aula mesmo relata não entender como, pois tinha um ideal, um projeto para a mãe dela. Não conseguia soltar, deixar de cuidar a mãe dela.

Mas nem sempre esse movimento de acreditar que os nossos pais precisam de nós começa conosco.

Muitos dos pais sentem a necessidade de serem guiados, orientados e cuidados pelos filhos. Sentem a necessidade de receber algo dos filhos porque estão desconectados dos próprios pais.

Mas nós não precisamos dos pequenos quando estamos “cheios” dos grandes.

Não precisamos pedir e demandar do pequeno quando tomamos o pai e mãe e tudo que eles puderam nos dar.

Muitas vezes demandamos dos pequenos e saímos do lugar de grande. Ficamos fora do nosso lugar de grandes diante dos nossos filhos porque saímos do lugar de pequenos diante dos nossos pais. Começa então uma troca de lugares no sistema familiar. Quem sente que precisa dos seus filhos, precisa observar que está com saudades de ser pequeno diante do pai e da mãe. 

Aquele filho que tem uma compulsão por cuidar dos pais, tem a sensação de que os pais não dão conta da sua própria vida, que não estão preparados para lidar a própria vida e não fazem boas escolhas, também está fora do seu lugar. 

Partimos do pressuposto de que temos uma habilidade, um talento, uma característica pessoal que nossos pais não têm e que se não lhes emprestarmos, vão ir mal na vida. Temos que respeitar que eles têm o direito de fazer as escolhas deles, pois é a vida deles e não precisam de nós. 

Diante da doença, da velhice, das limitações dos nossos pais, é a nossa vida com prioridade para eles. Se assim é, nós só alcançamos para os nossos pais aquilo que eles demandam e não conseguem sozinhos. Ainda assim, uma peneira precisa ser passada nessas demandas, pois às vezes as necessidades dos pais não acontecem por estarem mais velhos ou doentes, mas por estarem fora do lugar em relação aos pais deles. 

É importante não esquecer da postura que devemos ter diante dos nossos pais. Ao percebermos que uma demanda precisa ser suprida, nos colocamos à disposição deles, mas como pequenos, sem brigas, sem julgamento. 

Muitos dos pais saíram do lugar em relação aos pais deles, ficaram com uma sensação de que não foram amados, cuidados, protegidos, que não receberam tudo (ainda que tenham recebido tudo que foi possível). Inconscientes, projetam esses pedidos de cuidado em seus filhos. Desejam, então, ser cuidados pelos seus filhos, pois fantasiam que não foram cuidados pelos pais. 

Por exemplo, se o pai do meu pai faleceu enquanto eu era criança, meu pai precisa entender que ele fez o possível e que o vazio não pode ser preenchido por mim, o filho, pois não posso dar conta dessa dor, dessa falta. Para saber como lidar com tudo isso, precisamos estar em um constante processo de autoconhecimento e autodesenvolvimento. 

Father and son hugging

Quando sabemos que devemos ocupar o nosso lugar de filhos e que existe uma grande conexão no nosso sistema familiar, nós, como elos dessa conexão, empurramos nossos pais para o lugar deles, e ele percebem que é o melhor lugar. Essa é a confiança, que nós que trilhamos o caminho da consciência, devemos ter.  

Quando uma peça do sistema familiar volta para o lugar, quando o filho fica no seu lugar de filho e alcança só aquilo que seus pais realmente precisam, quando cuida da sua vida, os pais vão se encaixando no seu lugar de pais. Uma dinâmica que antes parecia confusa acaba, pois o sistema é feito para cada um ficar no seu lugar. 

Se o filho vai para o seu lugar, cuida da sua vida, casamento, carreira, saúde, os pais suportam, dão conta. Estranham porque estão fora do seu lugar em relação aos seus próprios  pais. Essa estranheza acontece em um curto período. Depois vem o amor, pois o fluxo começa acontecer. 

Se formos muito preocupados e sentirmos que nossos pais precisam de nós, mesmo que façamos muito pelos nossos filhos, no profundo da alma faltaremos para eles. Não são só as ações práticas, as tarefas de pais que fazem estarmos presentes. É preciso, na alma, soltar, respeitar o destino dos nossos pais. Muito embora, no dia a dia, estejamos fazendo as tarefas, vai faltar o vínculo, o transbordar do amor, e os nossos filhos vão sentir.

Visualize o trecho a seguir em forma de imagem: seus pais atrás de você e na sua frente, a partir de você, se u(sua) marido/esposa, seus filhos e sua carreira. Quem discorda, crítica e quer cuidar dos pais está de frente para eles. Deixa de estar inteiro para si e para os filhos, o marido ou a esposa. 

Outro ponto que precisamos observar é não justificar nossos comportamentos com os comportamentos dos nossos pais. Por exemplo, não posso dizer que minha mãe se vitimiza e me faz sentir culpa. A mãe até pode se vitimizar, mas quem sente a culpa sou eu mesmo. Sou responsável por isso. 

Sentimos culpa por não estarmos no nosso centro. Por necessitar andar pelo caminho do autoconhecimento e autodesenvolvimento.

O amor é, em um primeiro momento, romântico. Nesse sentido, na relação de pais e filhos, existe a sensação de que um precisa do outros. Por isso nasce a culpa. Muitas vezes estamos na culpa e não nos damos conta. Toda vez que discordamos entramos em estado de cuidado e saímos do nosso lugar. E nem sempre os pais pedem, sozinhos saímos do nosso lugar. 

O caminho que nos leva para o nosso lugar não é desvendado repentinamente. Para trilhá-lo, precisamos estar dispostos a adotar uma série de comportamentos. Em nossos cursos, lives, etc., temos um método para isso.

Realizamos, diariamente, um protocolo que inclui uma série de ações que auxiliam nesse processo. O protocolo auxilia na transformação da nossa vida. Nos auxilia a receber a informação e perceber os movimentos. É a arrancada, a tirada de máscara, a preparação para receber o tratamento. Sem ele a absorção e o movimento ficam impedidos. 

Trata-se de uma caminhada lenta, gradual, que tem início, meio e não tem fim. Para cada um o processo acontece de um jeito. E precisamos seguir nesse caminho para não nos distrair, continuar olhando para o jeito que amamos os nossos pais, olhando para os nossos comportamentos, críticas, discordâncias. Assim conseguimos ir para a nossa consciência, para o nosso lugar. É um movimento, um sistema, porque estamos todos ligados. 

Sabemos o caminho que tem que ser feito. Entendemos que precisamos ficar. Ao ficar no nosso lugar e sentir o que vier, conseguimos lidar com a consciência pesada, reconhecer o preço de sentir as dores. 

Isso faz sentido pra você?

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Forte e carinhoso abraço!

Sobre o autor:

Marcel Scalcko ajuda as pessoas a viverem mais leve e realizar muito. É mentor há 24 anos. Já treinou mais de 110.000 pessoas. Descreveu as 9 Leis da Vida. Há mais de 30 anos estuda com os melhores mentores e treinadores do Brasil, Alemanha e Estados Unidos.

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