O processo de cura passa pela dor: uma história real

Acredito que todos nós conhecemos alguém que parece estar perdendo as forças na vida, uma pessoa triste, deprimida, com ansiedade, angústia.

São sentimentos que, muitas vezes, causam uma busca descontrolada por anestésicos, assunto que quero tratar neste artigo.

Destaco que não sou contra medicamentos. São uma ferramenta de ajuda.

O importante é entender que eles não são a solução definitiva.

Por exemplo, não conheço nenhuma pessoa que deixou de ter depressão porque tomou o remédio para depressão.

De fato, o remédio anestesia o nosso centro nervoso bloqueando a tristeza, angústia, ansiedade, etc. Só que existe um ponto que precisa ser considerado: o efeito do remédio passa.

Observe a minha metáfora. Estou com a sensação de que a vida é cinza, então eu tomo um remédio e a vida fica branca. Esse efeito passa (como no caso das drogas, das bebidas alcoólicas). Quando eu volto para o cinza ele está muito mais escuro. Sinto dor, angústia, ansiedade, medo, tristeza, tenho a sensação de fracasso. Tomo mais uma dose do remédio e vou para o branco. O efeito passa novamente e eu volto para o cinza, e agora o cinza está ainda mais escuro. A situação fica cada vez mais difícil de lidar, então tomo mais uma dose do remédio e vou para o branco de novo, que está cristalino. Ao voltar, o que antes era cinza, agora já está preto. Parece que a única solução é aumentar a dose do anestésico.

Consegue entender onde quero chegar?

Vou dar um exemplo prático de um caso REAL.

Antes de entrar no assunto quero dizer que tenho muito respeito pelos casos dos meus clientes, não tenho a intenção de expô-los, mas acredito que trazer esse exemplo pode ajudar muitas outras pessoas.

Um caso que acompanhei foi de uma pessoa que buscava não sentir mais as sensações ruins, o desconforto, a dor da vida, utilizando como meio para isso o uso do remédio.

Cerca de um ano e meio, após iniciar o uso do remédio, ele relata que aumentava mais e mais a dose.

Ainda que a médica tivesse recomendado uma dose muito limitada, ele ingeria mais do que a quantidade recomendada. Parecia querer estar sempre anestesiado.

Afirmou que o sentimento de angústia só aumentava com o passar do tempo.

Para ele, a situação de vida em que se encontrava estava insuportável. As crises ficaram mais profundas, até que viraram surtos.

Os parentes, amigos e pessoas próximas simplesmente não sabiam o que fazer.

Em um dia de surto, ele caminhava de um lado para o outro, dizia que sentia sensações estranhas, medo, angústia, dor na alma.

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Então, fui chamado para intervir e dessa vez ele não precisou ser sedado.

Fiquei 12 horas com essa pessoa sendo um cuidador, um observador, um respeitador, um protetor.

Ajudei-o com base no conhecimento que adquiri nos meus anos de estudos.

Ele estava em um estado de muita dor.

Auxiliei mostrando que aquilo não era feio, não era errado, que ele não era um fraco, não estava incomodando ninguém, que era algo muito profundo e que vinha de muito longe.

Passei esse tempo junto com ele. Ajudei-o a ficar naquela situação horrível, angustiante, absurdamente amedrontadora.

Quem está em um olho de furacão de sentimentos desse tipo tem a sensação de que isso nunca vai passar.

A crise durou aproximadamente 12 horas, tempo que a pessoa viveu um turbilhão de sentimentos.

Permaneci e pude visualizar a situação se acalmando.

Pude ver então uma fisionomia totalmente diferente, até mesmo um sorriso esboçado no rosto dele.

Aproximei os parentes e pedi que, se possível, se organizassem para permanecerem mais um tempo com ele, um ou dois dias, caso a crise voltasse.

A família, muito corajosa e amorosa, se manteve com ele nesse processo.

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A presença da família ajudou muito. Até então, ele nunca mais foi internado e sedado novamente.

Nem todos os sentimentos ruins passaram. Precisamos entender que, às vezes, demora um pouco para tudo se acalmar.

O importante, nesse caso, é que agora a família respeita a ansiedade dele, permite que ele expresse essa ansiedade e isso faz com que ele permaneça mais sereno, mais tranquilo.

A lição aqui é que, podemos sim, encontrar uma solução temporária, amenizando sintomas através do remédio, mas é fundamental ficar na angústia apoiado por alguém.

Ficar presente, expressar todos os sentimentos com sons e movimentos físicos.

Até quando fazer isso? Até a próxima vez que for necessário.

É importante entender que assim, essas crises serão cada vez mais espaçadas, menos profundas, dolorosas e duradouras.

A abordagem é simples, mas não é fácil de ser feita, pois poucas pessoas suportam ficar na dor, angústia, tristeza, refletir sobre os ciclos não concluídos, pensar sobre a sua criança ferida.

Devo reconhecer também que poucos estão preparados para conduzir um processo desses.

Nem todas as pessoas sabem o que é uma crise de transformação, uma emergência espiritual. Por isso, precisamos falar sobre isso.

Temos que semear isso.

Sou humano e comum. Não tenho vocação para super-herói, para cuidar do que não me pertence, mas sei que se uma pessoa me ouvir, ler esse texto, vai valer a pena.

  1. Sabrina Q.R.Bidinoto disse:

    Texto perfeito!!

  2. GIORDANE CADAVAL RODRIGUES LEMOS disse:

    Ler este Texto é voar no pensamento e perceber como cheguei ao TAI… Com muitas dores físicas ( que não sabia porque sentia e onde doia mais,pois doia tudo) e emocionais( que expressava trabalhando demais. tristeza,revolta, descontentamento,brigas,choro). Passado um mês, sentir minha vida tomando um rumo interno de calma,aceitação e coerência.É como reencontrasse alguém que eu já conhecia a muito tempo mas que resolveu dormir ( todos os anestésicos expressados acima) para fugir de tudo que doia! Hoje acordada para vida e para SENTIR TUDO O QUE VIER abraço a mim mesma e me emociono com a clareza que estou lindando com meu cotidiano e com cada conquista interna e externa que estou tendo. É MARAVILHOSO VOLTAR PARA SI,SER INTEIRA PARA QUEM AMO E CONSEGUIR ME DESBRAVAR TODOS OS DIAS

  3. Letícia disse:

    Sofro de depressão

    1. Equipe Grupo Scalco disse:

      Uma pena Letícia, sabemos o quanto a depressão tem tomado conta e tirado a Vida de muitas pessoas. Esperamos realmente que você consiga sair dessa.

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