Mentoria Pais e Filhos: Como lidar com as discussões dos pais?

Este artigo é para você que não sabe como lidar com as brigas entre os seus pais.

Foi desenvolvido a partir de uma mentoria com um aluno nosso.

Para facilitar a compreensão, você verá em formato de diálogo.

Boa leitura!

Marcel:

Você deseja olhar para o seu relacionamento com os seus pais ou para o seu relacionamento com os seus filhos?

Mentorado:

Acredito que no relacionamento com os meus pais, porque penso que é a base.

Marcel:

Certo. Você que sabe.

Como eu posso ajudá-lo nesse sentido?

Quais são as suas dificuldades ou quais os seus desafios no relacionamento com os seus pais?

Mentorado:

Em relação ao meu pai e a minha mãe, eles estão sempre discutindo, falam muito em se separar e de repente, voltam atrás e eu fico no meio disso.

O meu pai julga muito a minha mãe e a minha mãe julga muito o meu pai.

Hoje, por exemplo, minha mãe me ligou chorando e falando ter uma decisão difícil para tomar e isso me faz pensar: “Em qual lugar devo me colocar para poder ajudá-la, sem ser o pai dela, mas sim como filho?”.

Queria ajuda nisso.

Como me colocar como filho da minha mãe e até do meu pai, quando ele precisa de ajuda? Como olhar para as suas problemáticas quando pedem minha ajuda?

Marcel:

Isso é praticamente impossível.

Tenho 30 anos de estudo e eu nunca tentei fazer o que você está me pedindo ajuda para fazer. Porque é muito difícil dar essa ajuda, dar conselhos, no relacionamento dos nossos pais, sem sair do nosso lugar, como você mesmo já percebeu e mostrou na sua fala.

A mente acredita que isso é possível, mas em nós existem tantas dinâmicas bio, psico, emocionais e espirituais que, digamos, existem muitos anzóis, os quais me capturam, me fisgam quando eu interfiro ou ajudo no relacionamento deles.

Paying woman at home

Sendo assim, quando sou fisgado emocionalmente, algumas consequências são bem razoáveis de acontecer, como por exemplo, começar a tomar partido.

Eis que surge o pensamento: “O Pai está errado”, sendo que para o pai estar errado a mãe deverá estar certa.

Desta forma, quando tomo partido, é como se uma parte minha se enfraquecesse, perdesse força.

Outra consequência muito razoável, ou melhor, plausível, é que o filho fica grande, torna-se um conselheiro, um sabichão, um estudioso.

E desta forma, como um estudioso, pode contar os seus feitos:

“Sabe, eu tenho uma academia, faço pós-graduação em comportamento e neurociência, já fiz um minicurso de constelação com o Marcel e já assisti 10 lives. Já o meu pai, está por aí… e não sabe se relacionar”.

Contudo, isso dói muito em nós, não é agradável ver os nossos pais se machucando, divergindo, brigando, um não valorizando o outro, etc. Isso dói muito.

Agora, o que será que pode doer mais com o tempo?

Se você não suportar a dor de ver os seus pais passando por isso, acabará interferindo.

Interferiu, saiu do seu lugar. E ao sair do seu lugar de filho, você perde nutrição.

Nutrição do amor profundo, derramado dos nossos pais sobre nós.

Sem estar nutrido, não terá mais força para o trabalho e não terá nutrição para transbordar sobre os seus filhos e sobre a sua esposa.

E sabe o que é mais triste em tudo isso?

Depressed and sad young man

Que mesmo saindo do seu lugar, você não irá resolver o problema que está lá, no relacionamento dos seus pais, ou melhor, na alma do pai e da mãe. 

O pai e a mãe seguem brigando e você perde força para o seu trabalho, perde amor para transbordar sobre o seu filho e perde amor para transbordar sobre a sua esposa, ou seja, não resolve e mais, causa um problema muito maior.

 A dica que eu posso dar hoje é olhar com muito respeito, o qual vejo que você já está cultivando, para os seus pais e surge a palavra mais difícil: soltar.

Soltar…

Olhar com respeito para os seus pais e para tudo que os conduz e soltar.

Compartilhando com você: teve um dia que eu pensei que o meu pai e a minha mãe precisavam ter uma conversa em particular, eu pedi licença para eles e falei:

“Ai mãe, eu vou sair, não quero ficar aqui, é muito doloroso para mim”.

Como eles me ouvem, conhecem o meu trabalho e sabem como funciona, eles não disseram nada.

Saí dali e senti uma dor enorme, uma dor inexplicável e um peso na consciência, mas foi tão grande, que andei dois quarteirões de carro, retornei e estacionei, novamente, o carro na frente da casa dos meus pais e pensei:

“Eu vou interferir”.

Felizmente, me dei conta no mesmo momento, respirei bem fundo, liguei o carro e fui embora, de novo.

Após, percebi que eles estavam divergindo apenas, algo normal entre os casais, sobre um tema qualquer. Mas dói muito para nós, crianças, interferir nisso.

Então, o seu desafio é a quinta lei da vida: vida é dor – ou você escolhe ter a dor de não interferir mais no casamento dos seus pais, ou você escolhe ter a dor de se colocar em sacrifício.

E assim, sacrificar a sua saúde, os seus negócios, os seus filhos e sua esposa. É dor.

A minha ajuda é fazer você perceber essas opções porque, ou você respira fundo e sai, sentindo a dor e a tristeza pelas divergências dos seus pais, ou é a dor de interferir, apaziguar e até consertar o conflito, mas pense comigo:

“Por quantos dias mesmo?”

Quem sabe cinco dias, dez ou, no máximo, um mês.

Perceba que este ato é como arrancar você das suas raízes e isso faz você perder toda força.

Basta relacionar este fato com a dor que uma pessoa sente para fazer músculos.

Sendo que, ou ele sente a dor de fazer músculos, ou a dor de ficar flácido, “pelancudo”.

A nossa mente só quer o prazer.

A nossa mente quer evitar a dor, porém surge um contra senso, um paradoxo e assim um confronto gigante, pois uma parte minha quer uma vida leve e, para isso, tem que pagar o preço de sentir a dor de deixar os pais divergindo. 

A mente quer evitar a dor de ver os pais brigando, por isso que, no meu caso, compartilhei que saí de perto, mas demora a sumir as imagens, demora para nós nos distrairmos, pois é insuportável a dor que surge em nosso coração, em nossa alma, ao vê-los se desentendendo.

São as nossas duas partes: metade o nosso pai e metade a nossa mãe. 

A mente quer o prazer, mas, neste caso, devemos sentir a dor de deixá-los no destino pesado deles, para não fazer o nosso destino e o dos nossos, pesado. 

Está claro para você?

Mentorado:

Sim. Sensacional.

Marcel:

Na verdade, quando entendemos a dor, paramos de sofrer porque a dor, nas leis que você percebeu, é natural.

O sofrimento nós vamos criando ao tentar controlar o que não cabe a nós.

Mentorado:

Nossa! Fiquei, muitas vezes, entre ferro e fogo tentando mostrar para eles dizendo: “Vocês não estão vendo que têm maneiras diferentes de amar?”.

E até cheguei a dar aula para eles, aí uma hora eles demostram entender e de repente muda tudo de novo.

É bem como você falou no início, quando vamos adquirindo um certo grau de sabedoria, por vezes, desejamos carregar algumas pessoas que amamos, nas costas, no sentido de deixar a pessoa “passar pela dor” da sua ignorância. 

Marcel:

Temos que viver o que precisamos viver, porque nós não temos esse poder de salvar a vida de ninguém.

O máximo que podemos fazer, é sinalizar, oferecer algo que auxilie esse movimento, seja um livro ou assistir a um curso.

Dar apenas uma informação. Por exemplo: “Olha pai, tem um maluco lá de São Borja que fala de relacionamento, o senhor não quer assistir?”

 Passava convidando o meu pai para fazer um curso que ministro, chamado Tai. Quando ele aceitou fazer, mudou a vida dele, mas ele me disse não umas mil vezes. Ele dizia: “Eu vou ficar na minha casinha, meu filho”.

Não exigi, eu não me meti na vida dele, apenas apontei, o convidei. E depois soltei.

Então, solta! Esquece isso! Nós não damos conta. Somos muito pequenos.

E atenção! Um recado para os pais que nos assistem: parem, urgentemente, de demandar que os seus filhos intermedeiem nos seus relacionamentos de casais mal resolvidos e, mais do que isso, não permitam que as crianças se metam no relacionamento de vocês! É muito pesado para elas.

Cuidado! Pois as crianças são muito amorosas e, desta forma, se colocam em sacrifício para minimizar a dor do seu pai e da sua mãe. 

Está claro meu amigo?

Mentorado:

Super claro. Obrigado. 

Sabe Marcel, como treinador, já mostrei para o meu pai vários resultados que consegui ajudando pessoas. Alguns conseguiram perder 50kg, 60kg e, com isso, queria ajudá-lo a emagrecer, mas percebi que não estava dando certo e foi a primeira coisa que eu soltei e nunca mais me meti na saúde dele, porque é bem como você falou no curso que assisti anteriormente: “que idade meu pai já tinha quando eu nasci”.

Achei isso sensacional. Ele tem o dobro da minha idade, eu tenho 32 anos, ele tem 64, logo, tem mais maturidade.

Marcel:

Boa. Sim, ele viveu 32 anos sem a sua ilustre presença. Por que ele precisaria tanto de você agora?

Desejo sucesso e continue me acompanhando.

Que você colha bons frutos para passar adiante aos seus alunos. 

Compartilhe amor no universo. Beleza? 

Mentorado:

Muito obrigado. E como eu sempre digo, não negocie com seu sonho. Abraço.

Marcel:

Forte abraço, querido.

Leia também o artigo: AS NOVE LEIS INEGOCIÁVEIS DA VIDA

Sobre o autor:

Marcel Scalcko ajuda as pessoas a viverem mais leve e realizar muito. É mentor há 24 anos. Já treinou mais de 110.000 pessoas. Descreveu as 9 Leis da Vida. Há mais de 30 anos estuda com os melhores mentores e treinadores do Brasil, Alemanha e Estados Unidos.

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  1. Francilene Zoia disse:

    Nossa muito interessante. Passei por um caso parecido, meus pais moravam em outra cidade, brigavam e acabavam me ligando. Até que meu pai tirou a vida. Hoje meus irmãos acabaram brigando e estavam fazendo o mesmo, devido a vários estudos, livros que li e terapias disse a eles que eles deveriam se entender, pois foi eles que tiveram esse problema e que deveria ser resolvido entre eles, mas é muito complicado.

  2. Patricia Dutra Sandi disse:

    Muito bom…….aprendo todos os dias a carregar somente o meu fardo, sem tentar querer ajudar os outros……cada um sabe de si, meus pais viveram assim tbm e ainda continuam, mas não cabe a nós filhos interferir.

  3. Francislane Fernandes disse:

    Muito obrigada Marcel, por sempre compartilhar o seu conhecimento, a sua visão da vida, que tanto tem clariado a nossa visão e no mostrando que tem os outros caminhos. Gratidão por tudo sempre!🙏

  4. Socorro disse:

    Excelente Marcel.
    É verdade, essa visão sistêmica é o caminho da cura para todos nós!
    Tudo leve. Agradecida!

  5. Livia disse:

    Muito bom! Eu passo isso com meu filho adolescente, tem coisas que consigo ajudar e quando não consigo, sofro! Tenho que aprender a soltar o que não consigo modificar.

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