Mentoria pais e filhos: A raiva inconsciente e o pai que não pôde ficar

O texto abaixo é de uma mentoria realizada perto da data da publicação deste artigo.

Você verá ele em formato de conversa, para facilitar a compreensão.

Vamos lá?

Mentorada: Olá! Moro em Pouso Alegre, Minas Gerais, sou separada, tenho filhos e trabalho como monitora de creche. Sigo você há, mais ou menos, 1 ano.

Marcel: Como posso ajudar você a ter uma vida mais leve e realizadora a partir das nove leis da vida, segundo Marcel Scalcko?

Mentorada:  Sou uma pessoa que pensa muito para fazer as coisas e com isso acabo perdendo oportunidades. Preciso ter foco, preciso sentir minha vida fluir.

Marcel: E o que é fluir para você? Qual parte da sua vida você quer que flua? Você me disse que trabalha, logo, tem dinheiro, se sustenta, tem o que comer e beber. Certo?

Mentorada: Bem, eu estudo, faço cursos e não consigo sobressair. Minha vida não consegue deslanchar.

Marcel: Observe. Isso é um problema seríssimo e eu tenho notado em muitas das pessoas que me pedem ajuda. As pessoas vêm até mim com uma série de conceitos, falas internas que não as levam a lugar nenhum.  E você está fazendo isso agora. Então, pense, o que você gostaria que tivesse acontecendo na sua vida que não está acontecendo?

Mentorada: Gostaria de conseguir me sustentar sozinha a partir do meu trabalho. Ainda dependo da ajuda de terceiros.

Woman look at the city in the evening

 Marcel: Certo. Isso com certeza é importante. Agora está claro. Então você não consegue se sustentar com a própria renda.

Mentorada: Além disso tenho dificuldade em me relacionar com as pessoas.

Acredito que devido a essa dificuldade que não consigo deslanchar. Tenho dificuldade em me relacionar com as pessoas. Sou insegura.

Marcel: Você está tomada de medo. Só que você substitui o medo pela impaciência e intolerância. Para você o ataque e a raiva é uma camada protetora. Provavelmente, os homens a decepcionaram muito desde criança. E desta forma desenvolveu um mecanismo, “antes que me firam, eu firo”.

Porém, como no exemplo de um cachorro bravo, por baixo de toda sua raiva, do seu rosnar, ele está morrendo de medo.

Foram os homens que a machucaram querida?

Mentorada:  Puxa Marcel, não sei. Bem, não tive pai ou melhor, meu pai faleceu quando eu era bebê. Não cheguei a conhecê-lo.

E demais, eu não namorei muito, casei e fiquei casada por 18 anos, mas meu marido nunca me agrediu fisicamente.

Marcel: Aqui começa a sua primeira dor, um ferimento na alma. Pois você teve e tem pai e mesmo assim, possui essa voz interna há décadas, que diz: “não tenho pai”. E em relação ao ferir, eu não me refiro em apenas agressão física, mas dores emocionais. Como no caso do seu pai, que não a agrediu verbalmente ou fisicamente, mas mesmo assim feriu você e isso já é suficiente.

Que idade você tinha quando seu pai morreu?

Mentorada: Eu tinha 7 meses.

Marcel: Então, a lei da vida mais difícil das pessoas cumprirem é vida é concordância.

Está lei foi descrita por mim com a seguinte frase: “Diga um sim absoluto a tudo, tudo, tudo”. Tudo que foi, como foi e quando foi.

E você ainda não disse um sim absoluto para a morte prematura do pai. Logo, observe o quanto de discordância tem em você. E pode perceber isso com as suas vozes internas que afirmam “não tive pai”, as quais você acredita.

Lonely Sad Young Woman in Mourning in front of a Gravestone

E neste momento a sua mente diz: “Mas Marcel, eu não tive. Ele morreu quando eu tinha 7 meses”.

E observando este fato podemos confirmar que você teve sim pai. Teve seu pai vivo, com você, por sete meses.

E sua mente pode estar dizendo: “Mas foi muito pouquinho, eu não me lembro”.

Sendo assim, tudo isso é verdade, mas que você não teve pai, isso não é possível.

Mentorada: Pois é. No caso, não fui criada, seria mais certo.

Marcel: Ótimo. Começamos a mudar a linguagem e instantaneamente sua reação e suas expressões mudam para melhor.

Vivemos na Terra e ela é o mundo externo, uma dimensão de concretude, do toque, do físico, sendo assim, você não teve o seu pai fisicamente, mas nós não somos um corpo, somos uma alma. Logo, teve seu pai, pois ele é o seu pai, fez você e ficou 7 meses, além de que as nossas conexões com os nossos pais transcendem a conexão do corpo.

 Como exemplo disso, podemos observar os relatos de pessoas que abraçam seu pai e sua mãe e não sentem o seu amor e o contrário também acontece, pessoas que moram a milhares de quilômetros dos pais e sentem esse amor, mesmo tão distantes, equivalente como se estivessem mortos.

 Amor é algo da alma. Nós somos amor e nossos pais também são amor, mas é claro que quando estamos em discordância com o que foi, nossa mente fica no domínio e no seu caso, dizendo: “meu pai não podia ter morrido quando eu tinha 7 meses de idade”. E é neste fato que estão a discordância e a raiva.

Entretanto, o que é pior, se eu perguntar a você se tem raiva do que aconteceu, sua resposta poderá ser equivocada.

Então me responda: Você tem raiva do que aconteceu contigo?

Mentorada: Agora, na fase adulta da minha vida, já entendo, mas quando eu era criança me sentia a pior criança da escola. Ainda mais na época dos Dia dos Pais.

Funny sad upset girl waving white neckcloth napkin for farewell goodbye to countryside lake pond

Marcel: Veja. É este o jogo mental que os adultos fazem. Sendo assim, reflita. Onde você acha que foi toda aquela raiva de criança?

Mentorada: Continua em mim.

Marcel: Isso. Está em você mesma até hoje. Ela borbulha dentro de você e, de vez em quando, escapa em seus relacionamentos. Por isso a dificuldade de relacionar-se.

Mentorada: Sabe Marcel, acabo de perceber analisando tudo que está me dizendo, que eu não consigo chegar perto das pessoas porque tenho a sensação de que elas vão embora. Nossa, pensei que fossem tantas outras coisas.

Marcel: E neste momento você está tomada de emoção. Silencia e sente querida, não impede. Permita-se. Não ria. Você está rindo para não chorar.

Mentorada: Pois é, eu faço isso.

Marcel: Mas isso a paralisa e a impede de acessar a raiva que está guardada há anos. Quem não acessa sua raiva não acessa sua força. E quem não tem força não consegue dar conta da própria vida.

Logo, devido a esta fuga, você está sem força e desta forma continua na vida como um bebê de 7 meses, morrendo de medo de ser abandonada de novo e então ataca antes que as pessoas a abandonem. Isso se passa na sua cabeça.

Mentorada: Verdade. Eu não pensava assim.

Marcel: Sim. É por isso que eu estou aqui e que estudo há 30 anos, além de ter feito um profundo caminho de autoconhecimento e realizar este trabalho há 24 anos de coração cheio.

É uma alegria poder viver fazendo o que eu amo. Logo, é meu trabalho fazer você enxergar.

Agora permita-se e faça um exercício comigo. Diga: “Que raiva”.

mad young businessman shouting at laptop in office

Diz querida! Lembra aquele dia na adolescência que você estava sozinha e se sentindo desamparada? E pensou: “se ao menos meu pai estivesse aqui”. Você está vivendo aquele dia novamente. Então diz: Que raiva.

Lembra aquele dia que algum amiguinho a incomodou? E pensou: “se ao menos meu pai estivesse aqui”. Diz: “Que raiva, que raiva”.

Você tem que dizer querida. E dizer com gosto. Sentindo em todo o seu corpo.

Não tem nada de feio nisso. Feio é ficar parada na vida e não conseguir se sustentar. E na verdade, não é feio também, mas só para incomodar você e ajudar seu processo. Isso é apenas humano e o preço mais alto a pagar.

Então, serra seus dentes e diga: “Que raiva”.

Lembra quando os pais dos coleguinhas iam os buscar na escola e você ficava olhando?

“Que raiva! Que raiva”.

Lembra da apresentação do dia dos pais?

Lembra dos trabalhinhos que a professora dava no dia dos pais? E você ficava se perguntando: “Por que tenho que fazer este trabalho?”

Diga: “Que raiva, que raiva”.

Vamos lá querida, diz. Sente. Só você pode fazer isso por si.

“Que raiva. Que raiva. Que raiva”.

Repete comigo. “Por que você foi morrer meu pai? Por quê? Por quê? Que raiva. Que raiva. E eu tenho ainda mais raiva pai, porque eu morro de saudades. E eu brigo com o senhor uma vida inteira. Eu o culpo pela minha vida sofrida, mas eu não aguento mais pai, ficar parada na vida. Por favor meu pai me tome de volta apenas como sua menininha”.

E, com os olhos fechados, você o vê e corre para o seu colo. Ele a abraça e você chora no colo dele. Você o chama e ele diz algo.

O que ele disse querida?

Mentorada: “Cresça! Cresça”.

Marcel: E o que você reponde ao seu pai?

Mentorada: Eu vou crescer pai.

Marcel:  Então repete comigo: “Eu vou crescer meu pai. Eu vou tomar a minha vida, ao preço que lhe custou. Se não foi possível para o senhor, para mim é possível. Eu não morri e eu não quero mais morrer. Eu até já quis um dia meu pai, mas eu fico na vida. Depois a gente se encontra. Eu fico e me movimento. Eu fico”.

E agora, após dizer tudo isso, ainda de olhos fechados, você olha para o seu pai e vê como ele reage a esta sua promessa.

Mentorada: Ele sorri.

Marcel: Agora você alegra o seu pai.

Repete comigo novamente: “Eu sigo pai”.

Então, imagine você ficando de costas para o seu pai e começando a caminhar, deixando-o em paz. E após caminhar por um tempo, você olha, por cima dos seus ombros e ele está sorrindo e acenando para você. E não por estar longe, mas por ver sua filha em movimento. Ele se alegra vendo sua filha vivendo e não mais discordando do que aconteceu.

E assim, você segue caminhando e de repente surgem imagens e você se vê em movimento na vida. Você se enxerga prosperando na vida e assim você sorri. Sorri e se alegra com a sua vida.

E nesta alegria você diz: “Eu estou livre. Eu sigo”.

Mentorada: Tantos problemas e só era a falta do meu pai.

Marcel: Sim querida. Você queria ir ao encontro do pai e muitas vezes pra isso adoecemos e ficamos parados. Mas seu pai está em você é só se olhar no espelho todos os dias.

E melhor, encontra uma foto do seu pai, coloca em um quadro bem bonito para olhar todos os dias e agradecer pela vida e nunca mais fale que não teve pai.

E quando acordar e levantar de sua cama, diga: “Não foi possível para o senhor, mas para mim é. Eu vou ir trabalhar feliz”.

Esse é um começo. Combinado?

Se este artigo ajudou você de alguma forma, comente aqui.

Forte e carinhoso abraço!

Leia também o artigo: COMO CUIDAR DE ALGUÉM QUE PRECISA DE AJUDA PROFISSIONAL?

Sobre o autor:

Marcel Scalcko ajuda as pessoas a viverem mais leve e realizar muito. É mentor há 24 anos. Já treinou mais de 110.000 pessoas. Descreveu as 9 Leis da Vida. Há mais de 30 anos estuda com os melhores mentores e treinadores do Brasil, Alemanha e Estados Unidos.

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  1. Andrei Macedo Trindade disse:

    Esse artigo abriu meus olhos para todo o Amor que eu não aproveitei.
    Eu não fazia ideia de que tu isso estava gravado em mim. Meu pai faleceu quando eu tinha 8 anos, tudo nessa mentoria caiu como uma luva para mim. Revivi, senti e curei “a perda do meu pai”.
    A partir de agora ele vive em mim e eu aceito o seu amor.
    Gratidão meu pai.

    Gratidão Marcel Scalco.

  2. Luiza Dallazen disse:

    Lindo e emocionante! De certa forma carregamos sem saber as faltas e dores vividas na infância, sem poder entender muitas vezes a razão do nosso insucesso.

  3. Rosa disse:

    Preciso também colocar pra fora a raiva que senti pela infância sofrida que tive. Meus pais separaram-se quando eu tinha apenas 3 meses e minha mãe era muito cruel comigo, como se eu a lembrasse o tempo todo da vida que tinha vivido com meu pai. Sofria bulling na escola pois minhas colegas me deixavam fora das brincadeiras que eu mais gostava porque eu não tinha pai. Sofri muito e ainda hj sinto aquela dor dentro de mim. Então eu procurava sempre dar o melhor de mim em tudo que fazia para ser aceitada como alguém normal. E isso promovia inveja qdo me saia bem, então me acusavam de fazer coisas que não fazia. Aos 14 anos fui para um internato de freiras e lá também era discriminada por nao ter pai. Sai de lá e comecei a dar aulas, me casei, tive uma filha e sofri horrores com meu marido. Separei, ele morreu. Casei de novo e após 15 anos de convivência ele foi embora. Antes de 1 mes comlletar, ele quis voltar e não aceitei.
    Casei pela terceira vez mesmo assim sinto que falta alguma coisa. Tenho 2 filhas e 1 filho (cada um de um pai diferente). Meu filho caçula é um adolescente bastante revoltado. Ainda preciso de ajuda.

    1. Equipe Grupo Scalco disse:

      O caminho agora é buscar autoconhecimento e autodesenvolvimento. Acompanhe nossos conteúdos aqui e o instagram do Marcel (@marcelscalcko) que lá tem muito conteúdo rico que vai ajudar muito! E se quiser aprofundar, teremos uma imersão de constelações no próximo dia 21, para saber mais: https://bit.ly/3f2CW0L

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