Constelação e a medicina

Este texto foi preparado especialmente para você, que tem interesse em saber como as constelações podem trazer benefícios para a sua saúde física e mental ou para a sua área profissional da medicina.



Também é para você que trabalha em qualquer outro campo profissional, já que a abordagem pode auxiliar profissionais de vários campos.

O artigo foi desenvolvido a partir de um diálogo com o Dr. Adailton Meira, que fala sobre como utilizou as constelações na medicina.


Você verá o texto em formato de diálogo, para tornar a leitura mais fluida.

Vamos lá?

Dr. Adailton:

Sou médico há quase 38 anos, formado na Unicamp e desde a faculdade estudei homeopatia.

Então, me especializei nisso, homeopatia, mas eu tinha um sonho, queria fazer parto humanizado, parto domiciliar, em casa, parto na água e fui fazer obstetrícia.

Após isto, fui para França, para Oxford e rodei o mundo para ter essa abordagem da obstetrícia.

O tempo foi passando, estudei acupuntura, nova medicina germânica, psicossomática e há 11 anos passei por uma experiência com a constelação familiar sistêmica.

Essa experiência deu um nó na minha cabeça, porque a realidade que eu via, ao observar a primeira constelação que participei, deixou-me em choque, não correspondia com a realidade do meu mapa mental, conhecido por mindset.

Sendo assim, a imagem que eu tinha da vida, de mim mesmo, do meu pai e da minha mãe, não batia com aquilo que estava sendo representado pelas pessoas na constelação.

Lembro que pensei: “Como assim?” E neste momento, em alguns minutos, se esvaiu, foi por terra tudo o que eu pensava a respeito de mamãe, do papai e do amor e aquilo me causou um choque.

Fiquei 3 anos trabalhando essa informação, lutando com isso, porque a minha mente me levava para um lado e a minha alma me levava para outro.

Ficava em um movimento incerto, de lá para cá, e na ocasião, minhas tarefas de vida contribuíam para essa confusão, pois eu participava de um contexto religioso, tinha uma participação de liderança, me responsabilizava por cuidar das pessoas de todos os contextos possíveis, da igreja, meus pacientes, minha família, meus amigos, e neste instante acabei percebendo que cuidava de todos, mas não cuidava de mim.

 Não tinha a autorização de ser eu mesmo. Porém, chegou o momento em que pedi licença e decidi viver a minha vida. Tinha o conceito de que era errado querer cuidar de mim, que isso era egoísmo.

Hoje, um dos cursos que ministro e um dos temas das minhas lives é “eu em primeiro lugar”, o qual demorei muitos anos para conseguir falar e conjugar essa frase, imagina para conseguir viver.

 

Então, hoje meu trabalho é isso, faço as pessoas entraram em paz com o passado delas para que seu presente tenha mais futuro.

Marcel:

Ótimo.

Bem, o tema é medicina e as constelações.

Então vamos lá.

Muitas vezes, quando as pessoas sentam ao nosso lado em uma constelação e vejo que tem uma demanda na área da saúde, onde ela pode pedir, por exemplo, “quero me curar de um câncer”, ou “quero me curar da minha gastrite”, e ela tem esse direito por ser leiga, fico atento.

Então, me preparo para orientá-la com cautela.

Qual a sua posição sobre isso? Como nós, enquanto consteladores, devemos orientar e mostrar a cena observada para aquele que quer a cura do sintoma físico em uma constelação?

Dr. Adailton:

Bom, isso é muito comum, atendo muitas pessoas que trazem essas questões, como, por exemplo: tenho câncer de mama, tenho câncer tireoide, tenho endometriose e assim por adiante.

A primeira coisa é que nenhuma doença acontece por acaso.

Então, como médico, nesses 11 anos, meu trabalho foi fazer tudo aquilo que eu fiz antes, como quando fui adaptando os novos aprendizados na visão da medicina e assim, comecei a trazer a visão sistêmica para a medicina que eu faço. Logo, toda doença tem uma causa emocional, toda doença nasce de um conflito emocional. E esse conflito é o mesmo que eu tive, em que a mente da pessoa pensa uma coisa, mas o corpo dela pensa outra.

Radiology, health care, people, surgery and medicine concept

Sendo assim, por exemplo, em um câncer de mama, a paciente pensa que aquela mãe não foi a mãe certa para ela, sente-se em conflito, pois há algo dentro dela que quer aquela mãe, mas a mente tem raiva da mãe e sente uma raiva que não pode assumir.

Portanto, à constelação propicia, ao ser visualizada em grupo e com representantes, a observação da origem do conflito dela, e complementando, cada doença tem um conflito.

Marcel:

Sim, e nós como consteladores devemos deixar isso muito claro, dizendo: “as doenças são mensageiras e, neste momento, nós apenas podemos o ajudar a olhar a mensagem”.

Curar as doenças é possível, porém, não sem receber e concordar com a mensagem que ela representa, pois, do contrário a doença volta.

Sabe, Adailton, em Santa Catarina existe um centro de apoio ao paciente com câncer (CAPC) e eles trabalham com está mesma visão. Observam o todo, ou como eu falo, cuidam das áreas, bio, psico, emocional e espiritual das pessoas.

No CAPC existem algumas coisas, as quais conheci, pois, acompanhava, há alguns anos, minha esposa Fabiana em seu tratamento, ela teve câncer, e gostaria de compartilhar com as pessoas, como, por exemplo, chegando para a triagem tinha um banner e junto a ele, o que eu adoro, tinha uma caixa de remédio fictício e na tarja vermelha dizia: “entre o tratamento médico e o tratamento alternativo, fique com os dois”.

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Fiquei encantado com isso, porque me fez perceber que, por exemplo, a medicina germânica, que não sei quase nada, é muito boa, mas as vezes, imagino, que ela não dê mais conta, bem como a homeopatia é muito boa, mas às vezes ela não dá mais conta e assim por diante. Além desta percepção, eles me trouxeram a teoria “ou/e”, algo que chamo de ecumenismo, que é quando abolimos o “ou”, e colocamos o “e” na nossa vida.

Dr. Adailton:

Chamo isso de medicina integrativa. É o que eu faço, medicina integrativa sistêmica, onde se coloca todas essas visões e amplia com a visão do Berth Hellinger, observando a possibilidade dessa pessoa estar repetindo padrões de doenças, seja do pai, do avô, da bisavó, ou a questão de uma criança abortada. Enfim, se expande o nível de observação. Portanto, hoje, é possível fazer uma coadunação da medicina com a constelação.

Marcel:

Perfeito. E cada vez mais é assim.

 Sendo assim, nós, Adailton, Magda e eu, pois felizmente tenho a Magda nesta jornada, trabalhamos olhando o ser humano como um ser integral.

Contudo, cuidado, cito como exemplo o caso de um colega seu, um médico, que ficou tão encantado com a maneira do tratamento do CAPC, na qual eles mesmos dizem para os pacientes seguirem com tratamento médico, e a parte emocional continuará sendo cuidada por eles, mesmo assim, ele, médico, parou o tratamento, é triste essa história, pois acabou morrendo.

A nossa mente é sectária e divisionista. Logo, a nossa mente, muito facilmente, irá fazer uma escolha drástica, como: “a solução é a medicina, o resto tudo é curandeirismo”, ou dirá, “as terapias alternativas são boas e a medicina tradicional não presta”.

 Entretanto, tudo pertence e tudo tem um espaço.

Desta forma, reflita. Por que vou contar só com a ajuda da homeopatia, por exemplo, se posso contar com a ajuda de uma eventual cirurgia ou de uma constelação, ou de um remédio da alopatia?

Claro que todos sabemos que os remédios alopáticos e um tratamento para câncer, como a quimioterapia, são bastante invasivos, mas não devemos abominar nada. Tudo tem o seu lugar.

Esse é o primeiro conceito que nós podemos deixar com a nossa audiência Adailton, não é medicina ou constelações, mas é medicina e constelações, e assim, integrando, cuidando e dando as melhores opções para a pessoa.

Para encerrar está minha fala e pedir tuas colocações, lembramos que, em sendo a doença uma mensageira, a primeira coisa que devemos aprender é acolhe-la.

Sabe como que eles começam os dias no CAPC? Começam fazendo uma oração, a qual sabemos que é um manifesto de gratidão, para a doença.

Fazem uma oração à doença, porque em não podendo nós, ouvir as milhões de mensagens que a nossa alma, que o nosso núcleo emocional, nos mandou, em não tendo nós, conseguido ouvir as mensagens, porque a nossa mente abafa, ela faz um nevoeiro, faz uma fumaceira para não vermos a mensagem, o nosso corpo adoece, somatiza, como, atenção meus queridos, o último recurso para que nós ouçamos a mensagem.

A nossa alma bate no corpo e diz: “Sente eu, pelo amor de Deus. Sente”. “Sente e dá um lugar no coração para aquele filho que não pode nascer. Sente”. “Sente, está na hora de sentir a raiva que você tem guardada há anos. Sente eu”.

Recebendo todos esses convites a sentir e não sentindo, bom, o que resta ao corpo é adoecer. É a última coisa que a nossa alma pode fazer por nós.

A alma adoece o corpo, a nossa psique adoece o nosso corpo, só para ouvirmos a mensagem da nossa alma. Para ouvirmos a mensagem da vida. E tem gente que nem assim.

Dr. Adailton:

Há poucos dias postei no instagram sobre o não lutar contra a doença. Como você se livrará de algo que deseja, se lutar contra? Acontece o contrário, pois ao discordar você se prende ao fato.

 Nessa semana atendi uma paciente que falava o seguinte: “Minha mãe ganhava um salário mínimo, era faxineira, e casou com um homem que não trabalhava. Ela sustentou esse homem a vida toda e eu a odiava por isso”. Concluindo, está moça casou e depois de 10 anos de casada percebeu que repetiu a cena, ela casou com um homem que sustentou durante 10 anos.

Chief of Medicine Physician

Repetimos o que rejeitamos.

Se a pessoa não aceitar a doença, não acolher a doença, não amar a doença, não ser grato, ficará difícil passar por ela.

A doença é um pedido de socorro.

Costumo dizer que nós temos um centro, temos uma essência e que quando nos afastamos disso, o amor-próprio, o “eu em primeiro lugar” ou quando vivo a minha vida para ser aquilo que os outros desejam ou o que a sociedade espera ou aquilo que agradar todo mundo, me afasto da minha essência e a minha alma vai me trazer de volta, através das doenças.

Então, como isso acontece?

Bem, quanto mais longe você estiver, mais forte terá que ser a doença, e uma dessas doenças, a mais grave, é o câncer. E tudo devido à pessoa estar tão longe da vida e estar afastada do que realmente precisa. Logo, precisará passar por um choque emocional muito forte.

Agora, se ela escutar a mensagem, voltar, mergulhar e agradecer este câncer e com isso decidir descobrir o conflito emocional que não está conseguindo ver, ela com certeza terá uma possibilidade de libertar-se do problema. Mas tem que ter humildade e assim se permitir verdadeiramente olhar para isso.

 Portanto, não é o Marcel que cura, não sou eu quem cura, apenas, com o auxílio das constelações, abrimos uma janela e observamos a alma, o resto é com a pessoa, ela decide o que fará com está informação.

É o seguinte conselho: “Olha, é isso. O que você fará com isso é sua responsabilidade. Agora é com você”.

Marcel:

As pessoas quando vêm nos pedir ajuda, apresentando sintomas físicos, têm a expectativa de curar-se, de extirpar o sintoma, e nós já damos ajuda para as pessoas sabendo que não é esse o nosso trabalho enquanto consteladores, mas que sim, muitas vezes, os sintomas somem.

Agora, o convido para acessar o link abaixo, onde você terá acesso a outro texto nosso, em que compartilhamos casos de pessoas que trouxeram sintomas e que sim, puderam se alinhar com as ordens do amor, segundo Bert Hellinger, e mudaram a sua vida de alguma forma, seja em seus relacionamentos ou no corpo, com um processo de cura.

Vem conosco?

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Sobre o autor:

Marcel Scalcko ajuda as pessoas a viverem mais leve e realizar muito. É mentor há 24 anos. Já treinou mais de 110.000 pessoas. Descreveu as 9 Leis da Vida. Há mais de 30 anos estuda com os melhores mentores e treinadores do Brasil, Alemanha e Estados Unidos.

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