Como ser a melhor versão de si mesmo? (Parte 2)

Não viu a parte 1? Não tem problema! Clique aqui para ler: Como ser a melhor versão de si mesmo? (Parte 1) – Grupo Scalco          

Atenção, neste momento, sua mente deve estar tentando lhe contar uma história, a qual criou para poupá-lo da verdade, para poupá-lo da dor.

E essa historinha trouxe-o até aqui, e no exato lugar e momento de vida que você está vivendo. E com isso, sua mente, está tentando convencê-lo do contrário, de lutar contra essa informação, e assim provar que você não pode ser fã do seu pai e da sua mãe.

Junto a está informação, tenho consciência de que para muitas pessoas é difícil ser fã dos pais, pois tiveram um destino exigente,  reconheço essa dor, ainda assim, isto não muda a realidade.

Bem, se minhas palavras não o convence, quem sabe os fatos o convençam.

Eu era um homem exausto, acima do peso, abatido e entristecido. Eu, Marcel, aquele que ainda não era fã dos seus pais, era apenas um técnico agrícola, advogado, administrador de empresa e pós graduado.

Nesta época, já havia deixado de ser gerente de banco e havia me tornado um consultor famoso, especialmente, diante das grandes companhias de petróleo, Shell, Esso e Petrobras.

Este homem fazia R$12.000 a cada 2 dias de seminários, isso há 15 anos atrás. Lembre-se de tudo que falei, ser fã não é gostar do pai e da mãe, ser fã, não é amar o pai e a mãe, porque é muito difícil não ama-los. Inclusive, aqueles que acham que não amam, estão apenas acreditando na sua mente, pois é  impossível não amar.

Reflita, somos uma alma, somos feitos a imagem e semelhança de Deus, e se Deus é amor, nós somos amor, ou seja, amamos nosso pai e nossa mãe. Contudo, ocorre que nossa mente, por várias vezes, não concorda com eles e com o jeito que são.

Nesse momento de minha vida, eu estava quebrado, meu casamento por um fio, enfraquecido, obeso, sempre cansado,  dormia os fins de semana inteiros, me esforçava muito, pois nunca tive medo de trabalhar,  claro, sou filho do meu pai e da minha mãe, e neste aspecto eu estava conectado com eles, mas não era fã deles, então, eu ainda não podia ser fã  de mim mesmo.

Pense comigo, quando somos pequenos, somos encantados com nossos pais. Somos, verdadeiramente, fã do pai e da mãe e, mesmo que, o pai tenha ido embora,  se ninguém fizer nossa cabeça, continuaremos encantados e querendo  tê-lo em nossa vida, não ficamos reclamando, cobrando, só queremos  o pai, não importando que ele se foi.

Contudo, eis que a nossa mente vai crescendo, isso no decorrer do nosso crescimento, e assim começam a  surgir nossos problemas.

 Sabe-se que uma criança não tem mente até um certo  momento de vida, ela começa a se formar aos 2 anos de idade e continua lentamente, até mais ou menos 7 anos.

Então, por um tempo de nossa vida, somos apenas uma alma ocupando um corpo, e durante este período  somos amor, e então, tudo é lindo. 

Uma criança pode ter uma mãe horrível de feia, mas se alguém disser que ela é  feia, dirá… “Não, minha mãe não é feia”… porque é apenas amor.

Contudo, quando a mente vai crescendo, vamos achando o certo e o errado, o bonito e o feio, o justo ou injusto, o adequado ou inadequado, de valor e sem valor, etc. E nossa mente, cuja natureza é julgar, começa a julgar o papai e a mamãe.

Surgem, então, as críticas, exigências, acusações, começamos a discordar de seus destinos e de suas escolhas e tudo isso vai tomando uma proporção e fazendo com que deixemos de ser seus fãs. E assim, acabamos por deixar de ser nosso  próprio fã.

Finalizando esse processo, juntamente com o surgimento da nossa mente, surge o ato de começar a fazer muitas coisas, e anestesiados, começamos a estudar, trabalhar, fazer cirurgia plástica, pintar o cabelo, comprar coisas, tudo sem significado, pelo simples fato de não  sermos fãs de nós mesmos.

Logo, buscamos mil mecanismos de autoafirmação e de reconhecimento para  sentirmo-nos apreciados, valorizados e prestigiados pelo mundo. E o fazer continua, faz curso técnico, faz a faculdade de direito, faz faculdade de administração, torna-se gerente de banco, pós-graduado, um consultor reconhecido no Brasil inteiro, ganha R$12.000 por dois dias de trabalho, mas, no profundo, na alma, um vazio.

No meu caso, eis que a vida me abençoa, como abençoa a todos, o tempo inteiro, pois a vida nos manda mensagens. Infelizmente, naquele momento de minha vida eu, no primeiro instante, não ouvi, achei que o erro estava no mundo, que muitos de meus problemas era culpa de minha esposa, Fabiana, que eram as crianças, e assim, inconscientes, seguimos, culpando a tudo e a todos.

Um dia, em um evento de conclusão dos treinamentos da minha empresa,  meus pais aceitaram meu convite e fizeram -se presentes.

Neste evento, havia um momento em que cada familiar fazia uma breve fala em homenagem ao aluno que estava se formando no curso. Contudo, faltaram duas pessoas, e para que os alunos não ficassem sem aquela singela homenagem, pedi ajuda aos  meus pais.

E então, minha mãe falou linda e admiravelmente, uma mulher estudiosa, com vocabulário vastíssimo, articulada, professora por 50 anos. E após, chega a vez de meu pai, também muito estudioso, homem de muitas leituras, que além de tudo isso, é mais físico, cheio de expressão, imposta a voz e como minha mãe, obteve também uma atuação  impecável e admirável.

No final do evento, muitas pessoas vieram a mim, parabenizando-me, afirmando que eu era um professor maravilhoso igual a meus pais. Afirmavam que seria impossível não ser tão maravilhoso sendo filho de quem eu era.

 E foi assim, neste momento, que me dei em conta e percebi que sempre admirei e amei meu pai e minha mãe, mas não era fã. Nesta época, eu já estava em um longo caminho que tem início, tem meio e não tem fim, o caminho do autoconhecimento, da autotransformação, do autoamadurecimento, logo, já faziam parte deste momento da minha trajetória de vida, as terapias, meditação e imersões, e foi assim, que durante está situação, pude ver um de meus pensamentos.

Porém, para muitos, a percepção verdadeira de seus sentimentos ainda  está oculta e a mente ainda está no domínio. Lembro-me, de naquele momento, surgir em minha mente muitos pensamentos, questionamentos discordantes, como: Como assim!? Como que eu sou, quem sou, por causa do meu pai e da minha mãe??Quem que foi com 14 anos para escola técnica sozinho? Quem fez duas faculdades ao mesmo tempo? Quem trabalhou, estudou e estagiou ao mesmo tempo? Quem estudava fim de semana? Quem passou no concurso do banco econômico? E essas minhas percepções foram em um nível muito profundo , e repito, ainda oculto para muitos.

Percebi, que inconscientemente, queria ter me autofundado, queria, entre aspas, todos os méritos para mim, e insisto, mais uma vez, não trata-se de alguém que se dava mal com o pai ou com a mãe, pois verdadeiramente, não era esse meu caso, não tratava-se de alguém que tinha problemas severos com os pais, pois eu nunca os tive, e certamente, não tratava-se de alguém que não ama seus pais.

Trata-se, de que quando a nossa mente se forma, a gente começa a colocar “defeitinho” no pai na mãe, e depois que a nossa mente cria estas situações, começam as queixas, e nossa mente começa a ficar brava que o papai se separou, depois ela fica brava porque a  mamãe não é afetuosa, depois fica brava porque o papai nunca deu colo, depois fica brava com a mamãe porque o papai suicidou-se, depois fica brava porque a mamãe não se alimenta direito, depois fica brava porque o papai fuma, depois fica brava porque o papai não foi bem nos negócios, e assim, segue, olhando só para os “defeitos”.

Após tantas críticas, de todos os jeitos e de todas as formas possíveis, seguimos dizendo: “Eu amo meu pai, mas”… “Eu amo a minha mãe, mas”… Com isso, deixamos de ser fã do pai e da mãe, e pior do que isso,  muito pequenos, assumimos um compromisso com nós mesmos e fazemos uma promessa do tipo: “Eu nunca serei submissa como minha mãe”, ou,  “Eu nunca vou abandonar meus filhos como fez meu pai”, e aí, sim, essa mulher nunca será submissa, pois para ela, nenhum homem prestará, e aquela, que prometeu nunca abandonar os filhos, sim, não abandonará, pois os sufocará a vida inteira. E se você está minimamente consciente, neste exato momento, começa a perceber vários dos seus comportamentos, que demonstram a promessa que fez, a de ser melhor que o seu pai e a sua mãe.

E assim, você pode ter prometido  nunca passar por uma separação em seu casamento, e acabou fazendo o contrário, ou prometeu não ser obeso, como um dia  eu fiz, mas é sua realidade, está obeso.

Observe, eu passei por está situação, prometi muitas coisa para mim mesmo. Prometi não ser obeso como meu pai, prometi não ir maus negócios, como achava que meu pai tinha ido, e naquela época eu estava quebrado. Então, mesmo já tendo informação, vivi um dos dias mais duros da minha vida, e por um momento,  parecia que em mim existiam duas pessoas, a qual via os pais maravilhosos que possuía e outra que achava tudo uma injustiça.

Porém, ao observar tudo, chega a consciência, e sim, sabia e sei, que tudo que era e sou, é por tudo que recebi do meu pai e da minha mãe, e rapidamente, baixei minha cabeça, com muita dor e com muita tristeza, e logo surgiram em minha mente lembranças, lembrei-me da quantidade de livros que minha mãe me trazia da faculdade que dava aula, lembrei-me de seus ensinamentos, dentre os quais, dizia que é melhor ficar com uma roupa velha por mais um tempo e investir em livros, lembrei-me que meus pais levavam-me a  eventos culturais, lembrei-me que todos os domingos os dois saíam pela cidade e compravam, para nós, nas bancas, livros e revistas, lembrei-me de ver meu pai e minha mãe deitados na cama lendo, e que eu  ficava observando-os, lendo também, deitado ou sentado no chão, lembrei-me que meu pai e minha mãe, mesmo em condições muito precárias pagaram todos os meus estudos, lembrei-me que se não tivesse sido eles, não seria quem sou.

E desde aquele dia, comecei a reconstruir, dentro do meu coração, o estado de fã de meus pais,  um processo lento, construído no caminho que tem início, meio, e não tem fim, no caminho do autoconhecimento. E finalmente, pude entender e perceber o que é o que é ser fã.

Seguimos na parte 3: COMO SER A MELHOR VERSÃO DE SI MESMO? (PARTE 3)

Sobre o autor:

Marcel Scalcko ajuda as pessoas a viverem mais leve e realizar muito. É mentor há 24 anos. Já treinou mais de 110.000 pessoas. Descreveu as 9 Leis da Vida. Há mais de 30 anos estuda com os melhores mentores e treinadores do Brasil, Alemanha e Estados Unidos.

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