Como lidar com um filho que não larga o videogame?

Escrevi este artigo para ajudar você que tem uma dúvida semelhante a de uma aluna nossa que nos procurou com a seguinte questão:

-“Tenho um menino de 11 anos e ele só quer jogar Play. Está difícil fazer ele estudar. O que faço?

Para começar, vamos entender videogame como um brinquedo, ok?

Então, está tudo bem que as crianças brinquem.

Mas vamos entender que quando uma criança perde o domínio sobre si, quando uma criança vive uma compulsão com uma brincadeira, essa brincadeira vira um vício.

Nós jogávamos muito futebol.

Na minha época, começou o videogame. Mas quando isso aconteceu eu já era maiorzinho.

Quando a minha mãe dizia: – “Já pra casa tomar banho!” , nós parávamos o futebol e obedecíamos.

Isso é apenas uma pontinha do ‘iceberg’ de uma geração de pais que pensou que os nossos pais eram muito duros.

A nossa geração de filhos, nós enquanto filhos, achamos os nossos pais muito severos, achamos nossos pais muito bravos, muito intolerantes e pouco afetuosos.

E, nessa altura, nós prometemos que iríamos ser mais legais; que nós iríamos ser mais amigos dos nossos filhos e que os nossos filhos não iam ficar bravinhos conosco como nós ficávamos bravinhos com os nossos pais.

O que aconteceu é que nós nos tornamos uma geração de pais que não consegue suportar a insatisfação dos nossos filhos.

Então, a primeira dica que eu dou a você é: você decide aí, internamente, quem manda nessa casa. Porque é o seu filho tá mandando, né?

E aí você me diz que não, mas os fatos que você me traz me dizem que sim. 

Você tem que decidir quem manda na sua casa e junto com o ‘kit quem manda aqui’ vem o fato de ser odiado pelo seu filho.

Você está pronto para isso?

Você já está pronto para suportar ser odiado pelo seu filho?

Vocês, pai e mãe, devem estar trabalhando juntos nisso, né? Independente de estarem juntos ou separados.

Vocês estão prontos para suportarem ser odiados? 

Porque dizer para a criança: “acabou!”; ficar em pé do lado dizendo: “desliga! Desliga esse videogame agora; eu não estou dialogando, eu não estou discutindo, eu não perguntei se você quer ou se você não quer: desliga agora!”, pode fazer os seus filhos odiarem você.

Mas se você estiver disposto, olhe nos olhos dele e insista, decidida internamente que ele vai desligar.

Uma mãe ou um pai adulto, adulto na idade e adulto na postura, não vai e desliga.

Ele fica ali, em pé esperando a criança desligar.

Ele não vai sair. Vai ficar ali, olhando nos olhos até que a criança seda.

O bom, antes disso, é combinar quanto tempo a criança tem de tela, por dia. Pesquisa alguma coisa, nesse sentido: quantas horas de tela a criança tem por dia. É a linguagem do momento inclusive. 

Uma dica rápida: tem uns aplicativos que trancam a tela se você quiser. Você libera, a criança pede pelo telefone e de onde você está você libera mais 10, 15, 20 minutos, quanto quiser. 

Eu quero que vocês entendam que você têm que assumir o “lugar de pais” de vocês e os pais não foram feitos para contentarem as crianças.

Vocês tem que desistir de contentar as crianças, de serem bons pais, de agradar as crianças.

Ouçam a contundência das palavras que eu estou dizendo.

Desistam de serem bons pais; desistam de serem amados pelos filhos, porque não é papel de vocês.

O seu papel é oferecer para o seu filho o que ele precisa naquele instante.

Um dia uma das nossas crianças estava “birrentinha”, sabe?

Eu disse para ela sair do banho e vir conversar comigo.

Aí eu tive a conversa com ela e disse: agora você vai dormir, agora! Eu andei pela casa e quando eu voltei ela tava deitada no chão da sala. E eu perguntei: “o que você está fazendo?” Ela respondeu: “eu vou dormir aqui”. 

Eu disse”: a troco de quê você vai dormir aqui? Não! Vai dormir na sua cama; aqui não é lugar de você dormir”. Liguei a televisão e disse: “você vai dormir na sua cama” e aí eu fiquei e ela não saiu dali. Eu disse: “você vai dormir na sua cama custe o que custar, leve o tempo que levar…”.

Sabe, isso demorou, acho que umas 2 horas.

Nessas duas horas ela levantou e sentou numa poltrona. Eu já tava ficando apavorado, assim como você fica.

Por isso eu digo que eu sei o que você está passando. Um dia eu também já não sabia mais o que fazer.

Mas para fechar o que eu estou compartilhando com você…

Na cadeira ela estava confortável. Então, eu a tirei de lá e a coloquei num puff, para ver se ela faria alguma coisa diferente.

Eu chamei para conversa: “me fala aí o que que tá acontecendo e por que você está fazendo isso?”

Ela permaneceu muda com um ‘beiço’ enorme.

Eu esperando o tempo passar, já havia se passado 3 horas desde que essa criança que não tinha 10 anos estava me confrontando, desafiando-me, testando-me.

Eu com vontade de desistir.

Nesse momento eu socorri de um remédio que eu recomendo a todos vocês: imaginei meu pai a minha mãe nas minhas costas e, veja bem, louco para desistir.

Eu imaginando o meu pai e minha mãe nas minhas costas, perguntei: “O que eu faço, meu pai? O que que eu faço, minha mãe?”

E eu ouvi… porque a gente ouve o que os nossos pais nos diriam, né?

Nós somos nossos pais em cada célula do nosso corpo; nós sabemos exatamente o que eles nos diriam, estando vivos ou mortos.

Eu ouvi eles me falarem: “Não cede meu filho, não cede!”

E eu não cedi, eu não bati, eu não gritei, eu não ofendi.

Eu olhei nos olhos dela, coloquei uma cadeira na frente dela e disse: “Olhe nos meus olhos. Quem manda aqui sou eu”.

Continuei: “Nós já estamos aqui há quase 4 horas e você vai dormir na sua cama”.

Eu, olhando nos olhos dela, desliguei a televisão, sem tirar os olhos dos olhos dela.

Ela queria tirar os olhos dos meus e eu botava, delicadamente, a mão no queixo dela e levantava dizendo: “Olhe nos meus olhos!”

Ali foram mais uns longos minutos e eu já estava apavorado.

Então, eu disse: “Filha, olha o seu pai e diz., diz minha filha, o que você está querendo com isso?”

Ela conversou e trouxe um papo nada a ver, uma coisa distorcida.

Eu disse: “Minha filha, olha, eu sou o seu pai. Eu me importo contigo”.

Ela seguia beiçuda, com nariz empinado, metida…

Eu continuei: “Diz para o teu pai minha filha, o que que você precisa? Agora! O que que você gostaria que acontecesse aqui agora?”

O nariz foi se desempinando, ela foi se encolhendo, o beiço foi diminuindo e ai ela disse: “um abraço pai!”

Eu a trouxe no meu peito, uma lágrima escorreu no meu rosto e eu disse: “O pai está aqui minha filha, sempre esteve, pra você, a tua disposição, mas nos meus termos, do meu jeito, com as minhas regras, com os meus princípios, com os meus valores”.

Ela chorou e adormeceu no meu peito. Nós ficamos ali, mais alguns minutos. Eu a acordei e a levei para cama.

Onde ela dormiu? Na cama dela. 

Na minha casa somos nós, minha esposa e eu, quem mandamos.

Criamos essa mesma menina que é uma bênção em nossas vidas, essa mesma menina que hoje é completamente autônoma, estuda sozinha, entra madrugada adentro para cumprir com suas obrigações e não precisa ser acordada por nós para fazer o que tem que ser feito.

Assim como nesse exemplo, você não vai desligar o videogame, você não vai sair correndo pela casa atrás do seu telefone para o seu filho devolver. Você tem que dotar da convicção, da certeza que você está no comando.

Depois que a gente fez isso, adivinha se a nossa filha ficou bravinha ou cedeu? Ela ficou bravinha, chateada..

Mas sabe o que dizer pra eles?

“Eu não preciso do seu amor, minha filha. Eu não preciso que você goste de mim. Eu não preciso que você concorde com as minhas ideias. Amor e afeto eu sinto ao fechar os olhos só de lembrar que meu pai e minha mãe me deram a vida, isso me basta!”

Os pais não precisam do amor dos filhos e o problema dos pais é que eles esperam amor das crianças.

Mas os pais não precisam do amor dos filhos. Os pais precisam ter honra respeito e gratidão pelos seus pais.

Quando nós estivermos nutridos de honra, respeito e gratidão pelos nossos pais, nós teremos a clareza, a força, o poder, o discernimento, a firmeza, a tenacidade de dar aos nossos filhos exatamente o que eles precisam e não que eles querem.

Pense comigo: se você, dentro da tua casa, deixa o seu filho acreditar que ele manda na casa, ele vai achar que ele manda depois no trabalho dele e não manda.

E aí os jovens de hoje não querem ficar em nenhum trabalho. Não todos, mas muitos.

Se você deixar ele mandar na sua casa, ele vai querer mandar na esposa dele.

Depois ele vai ficar inconforme com a vida; vai achar que a vida é muito difícil. E aí nós temos muitos e muitos adolescentes suicidas hoje. Muito mais do que que antigamente.

O seu filho só está pedindo que você e o pai dele suportem impor a ele a vida como ela é.

E aqueles que estão passando por aqui dizendo que não concordam isso, não faz a menor diferença.

Isso não muda nada. O que muda são os resultados com os seus filhos.

Sabe que é muito curioso? Muitas vezes, algumas pessoas que discordam dessa postura diante da vida, nem se animam a ter filhos.

Então, desapegue da necessidade de ser amado, querido pelos filhos.

Não é nosso papel. Nosso papel é educar os filhos e oferecer a eles que eles precisam.

Fez sentido?

Leia também o atigo: O QUE OS SEUS PAIS ENTREGARAM A VOCÊ, BASTA.

Forte e carinhoso abraço!

Sobre o autor:

Marcel Scalcko ajuda as pessoas a viverem mais leve e realizar muito. É mentor há 24 anos. Já treinou mais de 110.000 pessoas. Descreveu as 9 Leis da Vida. Há mais de 30 anos estuda com os melhores mentores e treinadores do Brasil, Alemanha e Estados Unidos.

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