Aconselhar, cuidar, ensinar os seus pais, não é carga para você!

É praticamente impossível os filhos aconselharem os pais e o motivo não é ter menos conhecimento que os pais.

É possível que os filhos tenham sim mais experiência em alguma área da vida que os pais. Mas é praticamente impossível aconselhar os pais sem sair do lugar de filho. E quando saímos do nosso lugar de filhos, a vida fica muito pesada.

Podemos refletir sobre isso ao visualizar uma árvore: nossos pais são as nossas raízes, nós somos a árvore. 

As raízes mandam seiva para a árvore. E a árvore manda seiva para os frutos.

Esse é o fluxo natural, isso faz as coisas fluirem.

No entanto, se a árvore começa devolver a seiva para as raízes, ao invés de mandar para os seus frutos, tira a seiva dos seus troncos e galhos, termina tirando a seiva dos seus frutos. Se a árvore devolve a seiva para as suas próprias raízes ela acaba morrendo, secando. 

Sempre que aconselhamos os nossos pais, mandamos a seiva de volta para as raízes, ao invés de mandarmos para os nossos frutos.

Impossibilitamo-nos de estar inteiros, plenos, para os nossos filhos e para a nossa própria vida.

Vejamos um exemplo sem olhar para ele e fazer comparações com a nossa vida.

Pense em um bom homem, amoroso, dedicado, honesto, respeitoso, com um negócio próspero. Esse homem tem muita pena dos seus pais.

Ele, jovem e formado, permanece na casa deles, cuidando e administrando a vida dos pais.

Envolve-se cada vez mais com a vida deles. Com o tempo, passa a se preocupar menos consigo mesmo e com o seu negócio, que deixa de existir. Permanece tanto tempo administrando os pais que não pode seguir na vida.

 

O exemplo é extremo e entendo que a maioria de nós está em movimento,

No entanto, na medida que permanecemos aconselhando, instruído, doutrinando e educando os pais, menos temos forças para a nossa própria vida.

Deixamos de tomar nossos pais ao fazer isso. Isso causa um grande dano.

E voltando a metáfora da árvore, é impossível que ela se mantenha e nutra seus frutos se está depositando toda a sua nutrição na sua raiz.

É impossível seguir estando vazia, desnutrida. Só realizamos esse movimento contrário na vida, porque discordamos do que aconteceu no destino da raiz. Toda vez que realizamos um movimento contrário à natureza, perdemos as nossas forças, ficamos desnutridos. 

Esse movimento é fruto de uma compreensão de amor. No entanto, é um amor cego, sem lógica, que esvazia aquele que ama. E esse amor não muda a vida da raiz, porque a vida dela já está lá, já está acontecendo, independente da presença do restante da árvore. 

O que nos tira do nosso lugar não é a falta de compreensão intelectual de que nós não devemos aconselhar, educar, treinar, doutrinar os nossos pais. Para isso basta pensar: qual é o meu papel aqui? É simples.

Basta pensar no exemplo do professor e no aluno. O professor ensina e o aluno aprende. E vimos muitos alunos querendo educar, ensinar os professores. As coisas foram tomando esse rumo onde as gerações foram entendendo que precisavam ensinar, aconselhar seus pais. Mas isso é antinatural. 

O que faz sentido nessa relação de grandes (professor/pais) e pequenos (alunos/filhos) é que os pequenos vieram para receber e os grandes para dar. Se percebemos algo que os nossos pais não sabem, devemos informar. A postura é de quem informa e não de quem educa. Damos uma notícia, apresentamos um conhecimento. O que nossos pais farão com esse conhecimento só depende deles. Quando queremos guiar o conhecimento que levamos para os nossos pais, vem a desconexão, saímos do nosso lugar e ficamos desnutridos. 

Se transmitimos uma informação, devemos ter em vista que nossos pais são adultos e que não será por falta de informação que eles não farão o que é preciso. É porque eles não são livres, ou seja, tem uma criança ferida, uma psique, um inconsciente, um corpo de dor, influências do parto, da primeira infância, etc. Tudo isso está dentro deles.

Quando permanecemos aconselhando acreditamos que ter uma postura insistente vai ajudar a fazer com que eles façam. Pode até ser que façam. E mesmo que isso aconteça, saímos do nosso lugar. Aconselhar os pais é cansativo, estressante, pesado. 

Basta pensar em como é aconselhar os pais e aconselhar os filhos e observar as sensações. É muito pesado quando isso é feito com os pais, mas com os filhos, ainda que tenha um certo desconforto, é possível dar conta.

Pensar que os pais poderiam ter tido outro destino traz um vazio, uma desnutrição, um peso de ficar olhando para um destino que já aconteceu e já está fluindo, mesmo com a nossa discordância. Criticar, ter planos, tentar remodelar o que já existe é um dano para a nossa existência, gera o vazio. O vazio traz a depressão, a ansiedade. Estas trazem as doenças, a pobreza. Tudo gerado pela desconexão, pelo gesto de amor cego. 

Por amor temos a intenção de tornar o destino das pessoas que amamos mais leve e com isso realizamos um jogo muito perigoso. Todos ficam em uma vida muito pesada. Os pais perdem a força e os filhos perdem os nutrientes.

Devemos lembrar sempre que quando uma árvore tenta nutrir, tirar a tristeza, da sua raiz, ela entristece todo o sistema. 

Fez sentido pra você? Espero que sim!

Leia também o artigo: SEUS PAIS NÃO PRECISAM DE VOCÊ!



Forte e carinhoso abraço!  

Sobre o autor:

Marcel Scalcko ajuda as pessoas a viverem mais leve e realizar muito. É mentor há 24 anos. Já treinou mais de 110.000 pessoas. Descreveu as 9 Leis da Vida. Há mais de 30 anos estuda com os melhores mentores e treinadores do Brasil, Alemanha e Estados Unidos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

: