A relação entre vida pesada e analfabetismo emocional


Ao longo desses meus 24 anos de trabalho, treinando mais de 110.000 pessoas, percebo nitidamente que a causa de muitos não terem um vidão de verdade vem do fato de muitos não saberem lidar com suas emoções. Somos analfabetos emocionais.

“Como assim Marcel!?” Simples, reflita. Você foi alfabetizado emocionalmente? Quantas aulas teve na pré-escola, no ensino fundamental, no ensino médio ou na faculdade sobre o que fazer com o teu medo? Quantas aulas teve sobre o que fazer com a sua tristeza? Quantas aulas teve sobre o que fazer com a sua raiva? E a resposta é nenhuma.


“Mas Marcel porque eu deveria ter aula para lidar com estes sentimentos?” Simplesmente porque é impossível não sentir os sentimentos, as emoções. E mais, não só ninguém nos ensinou a lidar com as emoções, como também ninguém nos ensinou que as emoções têm a sua função.

O pior é que nos ensinaram que existem sentimentos ruins. Entretanto, reflita. Como pode haver sentimentos ruins se os sentimentos nos foram dados por Deus? “Mas Marcel, sentir medo, tristeza e raiva é ruim”. Sim, mas não é porque algo seja ruim que este algo não tenha a sua função. Por exemplo, tomar injeção é ruim, mas tem a sua função, fazer musculação dói, mas tem a sua função, fazer cocô é desagradável, mas tem a sua função.

Logo, não podemos deixar de desfrutar as funções resultantes destes processos. Com isso, perceba, não existem sentimentos ruins, existem sentimentos disfuncionais. Como não nos ensinaram a lidar com os nossos sentimentos, nós somos então dominados por eles. Somos dominados pelo medo, pela tristeza e pela raiva. E à medida que somos dominados por eles, tornam-se disfuncionais, ou seja, viramos o próprio medo, viramos a própria tristeza e viramos a própria raiva.


Entenda uma coisa: sentimentos não sentidos não vão embora. Se estou com medo e resolvo tomar uma cerveja para relaxar, esse medo não vai embora, apenas ficou guardado em mim. Se estou triste e resolvo ver um filme de comédia para me alegar, aquela tristeza não vai embora. Se estou com raiva e mudo de assunto para não explodir, essa raiva não vai embora só fica guardada no meu corpo. E sentimentos guardados podem gerar doenças físicas.


Pessoas que guardam muita raiva podem adoecer, por exemplo, de câncer de garganta, ter problemas no fígado ou no estômago, além de tudo isso, uma hora essa represa, essa barragem, esta piscina de medo, tristeza ou raiva, explode, derrama, transborda. E como que o medo, a raiva e a tristeza transbordam? Bem, eu guardo, guardo, guardo, guardo a tristeza e um dia essa tristeza toda transborda e me vejo em depressão.


As vezes a depressão tem causas orgânicas, mas muitas vezes é uma piscina de tristezas não sentida que transborda pela dor da perda de um filho, ou perda da mãe, ou a perda de um negócio ou até mesmo por uma separação. Assim, apenas uma tristeza faz transbordar tudo, parecendo que a causa era o fato específico, quando apenas transbordou toda a tristeza que habitava em nós.

Muitos alunos que participam de nossos eventos de autoconhecimento, autotransformação e autodesenvolvimento, como o TAI, treinamento de maior impacto psicoemocional e espiritual do Brasil ou o Leis da Vida presencial, vivem tão profundamente os sentimentos, com ajuda minha e da minha equipe de treinadores, que saem simplesmente sem mais nenhum sintoma da depressão. Logo, recebem um bônus de nunca mais serem engolidos pela tristeza.

O medo reprimido, guardado, contido, quando transborda, ou a pessoa tem crises de ansiedade ou a pessoa tem síndrome do pânico. Ansiedade é medo, medo não sentido, que fica conduzindo a pessoa. E assim, muitas vezes, a pessoa não controla a própria perna, não controla a mão, não controla seu corpo e não consegue parar, tudo
isso porque ninguém nos ensinou a lidar com as emoções.

Já a raiva contida faz com que a pessoa agrida os demais, em especial quem mais ama. E todos sabem do que estou falando, porque percebem que não tratamos ninguém de maneira tão rude, tão covarde, tão dura e tão agressiva, tão sem empatia, quanto tratamos os nossos filhos, os nossos pais, a nossa esposa ou o nosso esposo.

Repito, nós não tratamos ninguém tão mal quanto tratamos as pessoas que mais amamos. Pois no mundo externo, no mundo dos negócios e com os nossos amigos reprimimos nossas discordâncias. Saiba que, uma mera discordância já é raiva. Portanto, toda vez que você discorda, tem raiva, pode ser uma raivinha, mas se não expressa fica
guardada.

Tudo por não dizermos o que sentimos, como por exemplo: “Olha, estou incomodado, não gostei desta atitude”. Logo, se tivéssemos sido ensinados a lidar com os sentimentos seria muito diferente. Assim a primeira consequência, de guardar os nossos sentimentos, são as doenças físicas. E a segunda consequência é que você pode não só agredir quem mais ama, no caso da raiva, como pode o que é muito pouco improvável, mas é a explicação, entrar em um cinema e fuzilar muitas pessoas como acontece nos EUA, ou entrar em uma creche e esfaquear crianças e professores, ou ainda pode bater no teu marido de tanta raiva ou pode bater na sua esposa de tanto que guardou raiva.

Os crimes passionais são transbordos de raiva guardadas ao longo do tempo. Um dos recursos que temos para não sentir sentimentos é prender a respiração, o que dá a sensação de sufocar, ou contrair o peito, contrair as costas e contrair a nuca, por isso as pessoas têm muitas dores físicas quando voltam do trabalho, pois lá reprimem, contém, negam e mascaram os seus sentimentos.

Logo, pagamos um preço muito alto por sermos analfabetos emocionais, pagamos um preço absurdo por não
sabermos lidar com as nossas emoções. Como se não bastasse irmos para uma depressão, ou caminharmos para o crime passional ou quem sabe para uma síndrome do pânico, ressalvo que nem todos chegam nesses picos, existem outros sintomas, com por exemplo a pessoa que não sente seu medo, fica com medo guardado e não consegue ir em busca de seus sonhos.

Um monte de medo represado à impede de buscar os seus sonhos, ela até pensa em ter e realizar um sonho, mas quando imagina que pode dar errado se paralisa. As pessoas tristes, mesmo que não tenham chegado na depressão, não veem alegria na vida, olham para o lado e veem um bom marido, filhos saudáveis, um emprego bom, uma casa boa, mas estão sempre melancólicas, desanimadas e entristecidas. Portanto, existem as consequências extremas do não sentir, como a depressão, a síndrome do pânico e o crime passional, mas existem também as consequências não
tão graves que dificultam muito a nossa qualidade de vida e a possibilidade de atingirmos os objetivos desejados.

Assim sendo, quem não aprende a lidar com suas tristezas, as carrega junto consigo e vai perdendo a alegria de viver. Para completar as pessoas ao redor perguntam: “Por que você está triste? Você tem tudo, não te falta nada”. Para essa questão dou a seguinte sugestão de resposta: Tenho tristeza não falteza. A solução é acolher e sentir sua tristeza. Já as pessoas que não aprenderam a lidar com sua raiva terminam tendo uma impaciência maluca, uma irritabilidade enorme, estão sempre faiscando e assim podemos perceber que não param as consequências ruins no não saber lidar com os nossos sentimentos.


Usamos muitos mecanismos para não sentir o nosso núcleo emocional, o qual chamo de órgão de sentir as emoções. Para não sentir as emoções algumas pessoas tomam bebida alcoólica, outras comem em excesso, têm a vida pesada, acreditam nas mentiras da mente, como por exemplo que não estamos com raiva, pois nos ensinaram que raiva é feio, mentimos dizendo que não estamos tristes, mas cansados e tudo inconscientemente, mentimos que não estamos com medo e dizemos que isso é respeito, dizemos que não temos medo, mas que somos precavidos e assim terminamos dormindo demais, vendo televisão demais, trabalhando demais, consumindo demais e buscando uma beleza inatingível e cria-se uma casca ao entorno do órgão de sentir e de fato acabo não sentindo tanta tristeza, não sinto tanto medo e consigo ir tocando a minha vida, só que vou tocando tudo pela metade.

Com isso, fico sem força para sair da cama, sem força para cuidar da minha saúde, acabo não sendo compreensivo com meu marido e fico querendo transformá-lo, não sendo compreensivo com meus filhos e sem paciência os bato, acabo não sendo compreensivo com a minha esposa e quero modificá-la e nada me satisfaz, então mudo de emprego, mudo de namorado, mudo de casa, mudo de cidade e mesmo assim, ainda nada me satisfaz. Contudo, você pode até
estar conseguindo seguir com a tua vida e felizmente livre da síndrome do pânico, da depressão e de cometer um crime passional, mas segue vivendo com o teu órgão de sentir anestesiado.


As emoções, em inglês emotion (em movimento), são o combustível para a ação. Logo, quando você congela as suas emoções elas ainda estão dentro de você reverberando e gerando um monte de comportamentos disfuncionais. Portanto, acaba gerando um medo disfuncional que paralisa, uma tristeza disfuncional que é quando a pessoa não se alegra com nada e raiva disfuncional. Quando se tivéssemos sido ensinados a lidar com medo o utilizaríamos a nosso favor, bem como utilizaríamos a raiva e a tristeza a nosso favor.


Ninguém nos ensinou que o órgão de sentir o medo é o mesmo órgão de sentir a coragem, que o órgão de sentir a raiva é o mesmo órgão de sentir a compaixão, que o órgão de sentir a tristeza é o mesmo órgão de sentir a alegria. Logo, quando fujo dos ditos sentimentos ruins, que não são ruins, termino congelando o órgão de sentir e desta
forma não sinto alegria, compaixão, amor, tranquilidade e encantamento. Olhamos para nossa casa e observamos que temos tudo, mas permanece em nós a sensação de que falta algo e certamente, o que nos falta é sentir o centro do nosso peito preenchido de amor, amor profundo, não amor romântico, amor de quem se contenta com tudo, de
quem sente a vida, de quem se delicia com a vida.


Congelados pensamos que está tudo bem, quando na verdade sentimos um vazio e a sensação de “tenho tudo mas falta algo”. E afirmo, somos analfabetos emocionais pois ninguém nos ensinou a lidar com as nossas emoções. E então nossas casas são 10X melhores que as casas dos nossos avós, o nosso carro é 10X melhor que o carro dos nossos avós, as nossas roupas são 5X melhores que as roupas de nossos avós, temos computador, temos banheiro em casa, temos remédio para nossas dores sendo que nossos avós não tinham nada disso, contudo, somos mais infelizes e insatisfeitos que os nossos avós. E mais, eles viviam com a dureza da vida enquanto nós reclamamos da dureza da vida.


Estamos perdendo nossa vida, simplesmente porque ninguém nos ensinou a sentir as emoções e pior, nos ensinaram que quem tem medo é covarde, que quem sente tristeza é um preguiçoso e quem tem raiva é um louco. E a partir das 9 Leis da Vida, as quais observei e descrevi, sendo: vida é movimento (LV1), Vida é presença (LV2), Vida é Verdade (LV3), Vida é Conexão (LV4), Vida é Dor (LV5), Vida é Concordância (LV6), Vida é Conclusão (LV7), Vida é Semeadura (LV8) e Vida é Servidão (LV9), as quais ensino, vamos nos alinhando com a vida e sentindo as emoções e assim aprendendo a senti-las.

Outro fato observado é que temos tanto medo das emoções que não conseguimos fazer mais este movimento e assim, sem perceber, ficamos tristes porque estamos tristes, entramos em looping e somos engolidos pelo analfabetismo emocional.

Ficamos com raiva de ter raiva, ficamos com medo de ter medo, então só tem uma solução para conseguirmos fazer um caminho ao encontro do sorriso que foi perdido, da força que foi esquecida, da tranquilidade que tivemos um dia, o segredo está em nós mesmos. A força está em você, o sorriso e a tranquilidade também estão, apenas foram perdidos porque, sem saber, tentando fugir dos sentimentos ruins, que na verdade não são ruins, perdemos os sentimentos bons. Explico isso todos os dias e quanto mais explico mais me encanto com a simplicidade disso.

A única coisa que faço nos nossos treinamentos é guiar as pessoas para dentro dos seus sentimentos é dizer a eles: Fica! Não mata…O medo não mata, raiva não mata, tristeza não mata é só ficar. E o meu papel, neste voltar a sentir, é acompanhar, pegar pela mão e auxiliar pessoas a passar por suas emoções e assim, certamente, passando pela tristeza surgirá a alegria, passando por um grande medo surgirá a coragem e passando por aquela raiva, surge um amorzão. E é ridiculamente simples, mas é tanta pirotecnia e tanta tecnologia, as pessoas tentando ser feliz a base de remédios, a base de drogas, a base de bebida, a base de consumo, quando a felicidade está dentro pois é um sentimento.


Reflita: Como é que você vai sentir felicidade através, por exemplo, de um telefone? Pode até comprar algo que te dê alegria, tudo bem em comprar, não é proibido. O problema é comprar e não sentir nada por estar congelado.
Logo, a solução está em você pois a verdadeira fortuna é o autoconhecimento. E complementando, tenha certeza que é difícil encontrar a felicidade em nós mesmos, mas é impossível encontrá-la em outro lugar. Encontrar a felicidade em nós requer um ardo, dedicado, profundo e corajoso trabalho de autoconhecimento, pois é ele a verdadeira fortuna.

Para realizar este movimento, faz-se necessária a ajuda de terapeutas, mentores e treinadores, os quais
guiam a conhecer e sentir todos os seus sentimentos ocultos e assim, quando conhecer suas sombras, conhecerá a sua luz. Porém, enquanto você fugir das suas sombras elas o dominaram e com isso, foge do medo e vê tua vida dominada por ele, foge da tristeza e ela te conduz, foge da raiva e acaba virando a própria raiva.

Agora pare, pense e responda para você mesmo: Onde você tem buscado a sua felicidade? Tem buscado no reconhecimento do seu patrão? Ou no reconhecimento dos seus clientes? Tem buscado nos elogios do seu marido? Quem sabe nas compras, ou na beleza inatingível? Onde você tem buscado a felicidade? O que você está esperando que aconteça na tua vida para ser feliz? Lembra que um dia você achou que quando comprasse um carro seria mais feliz? Lembra que um dia você achou que quando comprasse uma casa seria feliz? Lembra que você achou que quando arrumasse um emprego seria feliz? Lembra que você achou que quando fez a sua primeira viagem ao exterior seria feliz?

Porém, aconteceu tudo isso e você não ficou feliz, então resolveu comprar um outro carro e comprou outra casa,
mas com salão de festas e viajou para outros países e ainda assim nada mudou. Claro que não é errado querer mais na vida, é certo, o complicado é achar que a felicidade está nisso, sendo que a felicidade está dentro de nós.


Quanto gastou na sua vida para comprar casa, carro, roupas, eletrodomésticos, ou seja, para comprar coisas? E quanto gastou na sua vida em autoconhecimento, para encontrar a felicidade dentro de si? É surpreendente perceber que 99% de toda renda ganha em nossa vida, para a grande maioria das pessoas, foi utilizada para comprar coisas e que apenas 1% e em alguns casos nenhum por cento, para buscar a própria felicidade. E assim, muitos vão morrer comprando coisas, reclamando do governo, reclamando do pai, reclamando da mãe, reclamando do marido, reclamando dos filhos, reclamando do país, reclamando de tudo. Agora pensa comigo, quem disse que todo mundo é feliz na Suécia? Quem disse que todo mundo é feliz no Japão? Quem mentiu para você que todo mundo é infeliz no Brasil? Sabia que a Suécia tem o maior índice de alcoolismo do planeta? Que o Japão tem o maior índice de suicídio juvenil do planeta? Países perfeitos?

Sabe, no Brasil existem muitas pessoas que decidiram fazer o caminho do autoconhecimento e são cada vez mais felizes, mais felizes que muitos suecos, mais felizes que muitos japoneses, até porque muitos suecos vêm morar no Brasil assim como muitos japoneses, ambos buscando um vidão de verdade. E assim acontecerá com você se começar o caminho do autoconhecimento. Porém, cuidado, cuidado com a grande mentira que você conta para você mesmo, aquela que faz atualmente você acreditar que não tem tempo e não tem dinheiro, pois ao observar no seu redor verá que não é bem assim.

Concluo informando-os, que pensando nestas suas “desculpas”, fundei a primeira e única escola de desenvolvimento humano online e gratuita do Brasil, a Escola do Eu, com intuito de ajudá-los, mas que ao mesmo tempo serve para observarmos e refletirmos que não é por falta de dinheiro que muitos não buscam o autoconhecimento, pois o meio nos presenteia com opções, mas sim por medo, pois sabem que terão de sentir seus sentimentos. E para os que dizem não ter tempo, fiz minicursos, práticos, objetivos e transformadores que podem ser assistidos a qualquer hora e em qualquer lugar. Lembre-se o segredo está em você. Somos os responsáveis pela realidade de nossa vida. Quer viver um vidão? Comece buscando o autoconhecimento e decida por luz nas suas sombras.

Ajudei você? Não pare por aqui. Clique no banner acima e venha conhecer a Escola do Eu.

Leia também: COMO SER A MELHOR VERSÃO DE SI MESMO? (PARTE 1)

Sobre o autor:

Marcel Scalcko ajuda as pessoas a viverem mais leve e realizar muito. É mentor há 24 anos. Já treinou mais de 110.000 pessoas. Descreveu as 9 Leis da Vida. Há mais de 30 anos estuda com os melhores mentores e treinadores do Brasil, Alemanha e Estados Unidos.

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